Ok Go, impressoras, muitos papeis e tintas.

Já ouviu falar da banda norte-americana de rock alternativo, a Ok Go?  Mas você já deve ter visto ao menos o último vídeo deles, aquele do painel de impressoras, não?

Ok Go

Isso mesmo, painel de impressoras. No último dia 24 de novembro a banda Ok Go divulgou o clipe da música “Obsession”. No vídeo, a banda usa 567 impressoras que vão imprimindo papéis coloridos conforme o ritmo da música.

Meu primeiro pensamento foi: “Meu Deus quanto desperdício de papel!! E Toda essa tinta gasta!” Mas antes mesmo da música começar um esclarecimento importante aparece, todo o papel foi reciclado e a renda arrecadada com o clipe foi destinada ao Greenpeace.

Ao saber disso eu fiquei aliviada, confesso, e só então consegui relaxar e assistir ao clipe numa boa, apreciando-o. Sim, parece uma propaganda da marca de papéis Double A, que patrocinou a produção do vídeo. Mas ainda assim, o vídeo é legal pra caramba!

O vídeo tem direção de Damian Kulash, Jr. (líder da banda) e Yusuke Tanaka. “Obsession” faz parte do mais recente álbum lançado pelo Ok Go, “Hungry Ghosts” e a faixa é sobre “como nossas mais intensas e complicadas emoções são também as mais simples e universais“. Palavras de Damian Kulash, líder da banda. E ainda acrescenta: “A obsessão é esmagadora e nos deixa perplexos, mas ao mesmo tempo é binária e básica – tudo está normal e, de repente, não está mais.” Ok, então.

Para quem não sabe a banda tem muitos vídeos legais e criativos. Misturando design e música. Dá só uma olhada:

Incrível como eles sincronizam tudo com perfeição e ao mesmo tempo a maioria dos elementos utilizados são simples, do nosso cotidiano. É fazer arte, música e design sem um monte de efeitos especiais excessivos. É bacana demais de ver a criatividade dos caras. E aí? Curtiu?

Mais artigos sobre design e música, clique aqui e aqui. =)

Trono de Vidro 4 – Rainha das Sombras de Sarah J. Maas

Revelações, reviravoltas, lutas de perder o fôlego, muita tensão. Esse é Trono de Vidro 4 – Rainha das Sombras de Sarah J. Maas. Já aviso logo: Tem Spoilers. <3

Trono de Vidro 4

Terminar de ler Trono de Vidro 4 me deu uma sensação… agridoce, digamos. Porque ao finalizar um livro de 637 páginas, o quarto livro da série, a gente não pára de pensar que a história está quase no fim. E ao mesmo tempo, a escritora tem o dom de fazer parecer que é apenas o começo! Como pode, Brasiu?

Trono de Vidro 4

Em Trono de Vidro 4, Celaena não é mais Celaena. O livro retoma a história de onde parou, com Celaena voltando para Forte da Fenda como Aelin Ashryver Galathynius, rainha de Terrasen. Se em Trono de Vidro 3 ela lentamente vai deixando de ser a garotinha arrogante e mimada, em Trono de Vidro 4 a gente mal se lembra mais da irritante jovem assassina que fugia de suas responsabilidades. O amadurecimento dela é muito grande, porém ainda não consolidado. Ela começa a se tornar a heroína que Adarlan merece e que nós gostaríamos de ver.

Como acontecem coisas nesse livro. Nossa, muita coisa mesmo. Um evento atrás do outro. Porrada atrás de porrada. Devido a aproximação dos eventos finais – afinal estamos falando em uma guerra contra demônios (os Valg)aqui – o livro muitas vezes tem um tom mais sombrio e pesado. Um romance se desenrola e a gente vira total Team Rowan agora. O príncipe-guerreiro élfico é um dos grandes responsáveis pelo amadurecimento de Aelin, e ele nos mostra que pode ser tão afetuoso quanto mortal.

Trono de Vidro 4

O chato de galochas desse livro é Chaol. Amargurado pelo que aconteceu com o príncipe Dorian no livro anterior, o ex-capitão da guarda real agora é um dos rebeldes maltrapilhos que tenta salvar o máximo de pessoas que pode das garras do rei, mas passa quase o tempo todo resmungando. Sua falta de confiança em Aelin , apesar de justificada, me pareceu exagerada. Quando ela partiu e ele descobriu a sua verdadeira identidade ele mesmo era outra pessoa que ainda tinha carinho por Celaena. Mas aí esses troços de magia assustaram ele mais do que deveria e ele virou um chato, maltratando até mesmo uma moça com quem é revelado que ele tem um casinho. Chato rabugento, malinha sem alça. Mas até que se redime no final. E Aelin ganhou mais ainda minha admiração com suas ações ao fim do livro mostrando finalmente a que veio. Virou um mulherão da p****

Nesryn Faliq é a moça com quem Chaol tem um casinho. Ela faz parte da guarda real e ajuda os rebeldes contra o rei. É um mulherão da p**** também, quem o mimizento do Chaol maltrata de vez em quando por estar chateadinho com Celaena. Ela aguenta calada, sem dar a ele o gostinho de responder qualquer coisa, apenas se afastando dele. Ele se arrepende várias vezes, mas, numa boa, ele não merece a afeição dela. Peça importante na história, graças a ela que o grupo de Aelin consegue se salvar em diversas situações, ganhando da rainha sua admiração.

Outro mulherão da po*** neste livro é a cortesã Lysandra. Inimiga de Celaena quando ela era treinada por Arobynn, acaba se mostrando uma importante aliada. E do lugar mais improvável surge uma amizade. Um trecho que me marcou bastante do reencontro das duas, e, até me inspirou a escrever sobre sororidade aqui no blog. Ao conversar com sua protegida, a menina Evangeline, Aelin reflete sobre como se comportou com Kaltain lá ainda no primeiro livro:

E, por um momento, imaginou como a vida de outra jovem teria sido diferente caso ela tivesse parado para conversar —conversar de verdade com Kaltain Rompier em vez de desprezá-la como uma dama da corte sem sal. O que teria acontecido se Nehemia tivesse tentado ver além da máscara de Kaltain também.

Depois, conversando com Lysandra, ela se desculpa:

“- Desculpe —disse Aelin. —Pelos anos em que passei sendo um monstro com você, por qualquer que tenha sido o papel que tive em seu sofrimento. Queria ter conseguido me ver melhor. Queria ter visto tudo melhor. Desculpe.
Lysandra piscou.
—Nós duas éramos jovens e burras; deveríamos ter nos enxergado como aliadas. Mas não há nada que nos impeça de ver isso agora. —A cortesã deu um sorriso que era mais lupino que elegante. —Estou dentro se você estiver.” 

Além disso, Lysandra não é uma mera prostituta qualquer. É uma das revelações mais empolgantes do livro. Além da tocante amizade que ela e Aelin desenvolvem deixando toda a rivalidade para trás. Aos poucos, nesse livro, Aelin forma sua corte, ou melhor, sua nova família.

 

Trono de Vidro 4
E esse vestido maravilhoso? Ela usa numa das cenas mais importantes do livro. <3

Também estão presente no livro novamente Manon e as dentes de ferro. A Líder Alada e suas Treze foram mandadas para servir o  Lorde de Perrington. O Duque é um belo um filho da mãe que quer fazer experimentos macabros. Manon começa a questionar sua própria obediência cega às ordens da avó, a quem manda cartas relatando as coisas que estão acontecendo ali sem obter nenhuma resposta.

No meio disso conhece a criada Elide. Uma jovem, quase menina ainda, muito maltratada pela vida, que anda com correntes nos pés. A garota é meio dúbia e a gente não sabe se pode confiar nela.  Nem Manon sabe. Mas muitas coisas são reveladas a respeito dessa garota que não é uma simples criada. Só que a história dela fica em aberto e só vai continuar no livro que vem a seguir. Desperta bastante curiosidade. Apesar de ser uma garota medrosa apenas querendo sobreviver, eu acabei torcendo para que ela crescesse e atingisse todo o seu potencial, assim como Aelin está aos poucos fazendo. Pois por enquanto ela é só uma menininha medrosa e chatinha. Vamos acompanhar.

Kaltain também tem bastante destaque em Trono de Vidro 4. A situação dela não é nada boa nas mãos do Duque de Perrington. Não quero falar mais do que isso pois seria dar spoiler demais. Mas ela também tem um papel muito importante, e a gente acaba se lamentando, assim como Aelin, de não ter conhecido ela melhor.

Trono de Vidro 4 encerra uma parte da jornada de Aelin. Porém começa outra ainda mais difícil. E olha, não foi nada fácil ate aqui. Em Trono de Vidro 4 a rainha Aelin ainda precisa se passar por Celaena, a assassina algumas vezes. Ela tem todo um plano arquitetado em sua mente que não revela nem para seus companheiros e nem para os leitores. Ao fim é que tudo vai se encaixando e nós, assim como Rowan e os demais ficamos pensando “Nossa, isso foi brilhante! Perigoso e arriscado, porém brilhante!

São mais de 600 páginas de muitos acontecimentos. Difícil citar tudo. Aelin não tem descanso desde que põe os pés em Forte da Fenda novamente e temos até o nojento do Arobynn voltando à cena para atrapalhar. São muitos eventos de tirar o fôlego. Muitas pessoas a salvar. Um rei a derrotar.

Vários pontas são conectadas nessa obra. Personagens que se reencontram, personagens que se conhecem, embates necessários e por muito adiados finalmente acontecem. Sarah J. Maas consegue aparar arestas e ao mesmo tempo dar mais pano pra manga. O fim do livro não é o fim da história, mas apenas o início do fim. Deu pra entender?

Não conhece a série e quer saber mais? Tenho resenhas dos livros 11.52 e 3 bem nesses links!

Trono de Vidro 4 – Rainha das Sombras é da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

 

Empatia está na moda…

…mas quase ninguém põe em prática. Muitas pessoas não sabem sequer o significado da palavra usada repetidamente – até mesmo por mim – mas a maioria não põe em prática porque empatia dá trabalho. A verdade é essa: muitos tem preguiça de se colocar no lugar do outro.

empatia

Isso mesmo, preguiça. Porque se colocar no lugar de outra pessoa e tentar entender genuinamente o que essa pessoa está sentindo dá um trabalho enorme. Dá trabalho e é cansativo.

Imagine que você está tendo um dia incrível. Tudo correu bem no trabalho, você não se estressou no caminho de ida e nem de volta, seu almoço foi ótimo e tudo está correndo bem. Tudo o que você quer é tomar um banho. Relaxar e dormir bem. Mas aí você recebe uma mensagem no seu WhatsApp com a notícia que a mãe de uma amiga faleceu. O que você faz?
a- Finge que não viu a mensagem e deixa pra responder no dia seguinte;
b – Manda uma mensagem dizendo que sente muito, mas entra no banho e vai relaxar mesmo assim – afinal de contas nada vai estragar o seu dia perfeito, né?
c – Recebe a notícia com pesar, sente a dor como se fosse sua, liga pra sua amiga e vai correndo até ela vê-la e confortá-la no que puder?

Acredite ou não, na prática, são pouquíssimas as pessoas que largam tudo para ajudar um amigo. Assim como são poucas as pessoas que sentem a alegria que o amigo está sentindo. Muitos até resmungam porque acha que nenhuma dor é pior que a sua própria e se ressentem da felicidade alheia. Sim, a mais pura verdade é essa: tem muita gente egoísta assim. Aliás, se pararmos para avaliar bem direitinho perceberemos que a origem de todos nos nossos males é o egoísmo. Mas isso é assunto pra um outro artigo.

Sim, se colocar no lugar do outro que sofre é sair da nossa zona de conforto. Aquela zona gostosinha e feliz da qual já falei aqui antes. Aquela que tudo bem ficar de vez em quando. Afinal batalhamos tanto né? Merecemos nosso descanso, nosso momentinho de relax. É uma maravilha poder tomar um chocolate quente e relaxar. E tudo bem.

Mas quando alguém precisa que nos coloquemos no lugar dele… ah… como é difícil. Como é complicado. Como fingimos faze-lo usando palavras doces nos nossos discursos de internet, quando na vida real estamos cagando e andando. Tentar sentir o que o outro está sentindo é difícil demais. Sabe por que? Porque só de imaginar a dor do outro corremos o risco de sufocar. Então é mais fácil ser superficial e dizer “Fulano reclama de barriga cheia”, “Fulaninha só reclama, parece carência.” “Nossa, eu no lugar dela não estaria tão triste. É uma bobagem!” “Racismo? Ah, racismo não existe.”

Está chocado? Nada disso é inventado, são exemplos que eu mesma já presenciei. Vou dar mais um exemplo pessoal aqui. Ouvi de uma pessoa que se dizia minha amiga quando havia poucos meses que havia perdido a minha mãe a seguinte frase: “Você é muito apegada ao luto. Fica postando sua tristeza no Facebook, fica parecendo carência.” Legal né? Super amiga essa. Fiquei super magoada e o que eu disse para ela foi o seguinte: “Experimenta perder a sua mãe primeiro e depois vem julgar a minha dor, ok?” Sabe como ela interpretou isso? Como se eu tivesse rogando praga para a mãe dela. O que é no mínimo risível. Primeiro: eu não acredito em pragas, isso é coisa de gente tacanha e pequena. Segundo: Eu jamais faria mal a alguém ou desejaria o mal de alguém, minhas amigas de verdade sabem disso porque me conhecem. Terceiro, e mais importante: tudo o que eu quis dizer para ela foi que ela precisava se colocar no meu lugar antes de tratar um assunto importante para mim com tanta leviandade. Eu pedi empatia. Algo que jamais deveria ter que ser pedido, principalmente de alguém que se dizia tão minha amiga. Talvez, na hora da mágoa eu não tenha escolhido as melhores palavras para me expressar ao pedir compaixão. E esta é a única coisa da qual eu me desculpei. De todo o resto não. Acabou que ela não era minha amiga, nem nunca tinha sido. E tudo bem, pois meus amigos de verdade se colocaram sim no meu lugar e me deram o colo que eu precisava.

Exemplos de falta de empatia no mundo não faltam. Aposto que aconteceram diversas coisas com você que está me lendo agora. Pessoas que foram levianas com seus sentimentos porque não queriam se dar ao trabalho se sentir algo ruim ou triste ao se colocar no seu lugar. Acontece todos os dias. Em todos os momentos. Na internet e fora dela. Mas para e pensa: você tem tratado o seu próximo como gostaria de ser tratado?

Museu da Empatia – Caminhando em seus sapatos…

Em um outro post meu eu questionei se empatia poderia ser ensinado. Eu não tenho a resposta para isso, mas existe atualmente em São Paulo uma exibição sobre o assunto .Para quem deseja entender um pouco melhor que história é essa de empatia, a exposição está acontecendo no Parque do Ibirapuera. Com a curadoria da Intermuseus,  a instalação é composta de uma caixa de sapatos gigante com uma coleção de sapatos e histórias de seus donos. Estas histórias vão desde experiências de superação após o luto, até casos de preconceito, gordofobia, LGBTfobia e outros relatos. A exposição busca promover uma reflexão sobre a importância da empatia.

Foto do site Intermuseus

Dentro de uma caixa de sapatos gigante, o público vai encontrar uma coleção de diferentes sapatos e de histórias que abordam nossa diversidade e nosso pertencimento comum à humanidade. Ao escolher um par de sapatos, o visitante pode calçá-los e caminhar pelo espaço enquanto ouve pelo fone de ouvidos a história da pessoa à qual eles pertenceram. A instalação propicia uma experiência participativa e envolvente e convida o público a repensar as relações sociais de preconceito, conflito e desigualdade. O público poderá escolher entre 25 depoimentos de cerca de 10 minutos, todos captados e editados especialmente para a edição brasileira do projeto.

O Brasil não é o primeiro país do mundo a receber o Museu da Empatia. Depois da primeira exposição feita em Londres, a exposição percorreu outras cidades inglesas e países como Austrália e Irlanda.

Serviço: Parque do Ibirapuera
18 de novembro a 17 de dezembro de 2017
                   terça a sexta, 10h às 19h / sábados e domingos, 11h às 20h
                   Grátis / 25 pessoas por vez (senhas distribuídas no local) – A instalação é indicada para maiores de 14 anos. Menores desta idade poderão visitar acompanhados dos pais ou responsáveis.