This is Us – a série que todos deveriam assistir

Já aviso logo: me acabei de chorar assistindo a primeira temporada This is Us. E, apesar da ressaca moral, posso afirmar categoricamente que a série é maravilhosa.

This is Us

Se você se liga em premiações, deve ter pelo menos ouvido falar desta série nessa semana. No último domingo (dia 07/01), o ator Sterling K. Brown fez história ao ser o primeiro ator negro a vencer um Globo de Ouro. E olha, o cara mereceu. Aliás o elenco todo merece. São todos maravilhosos, mexem com nosso coração em suas interpretações primorosas. Cada um deles. Sério mesmo. Brilhantes!

Fazia tempo que eu queria assistir à essa série. Já havia ouvido falar bastante e vi trailer. Logo me interessei. Mas só agora consegui conferir no serviço de streaming da Amazon, o Amazon Prime. Valeu cada lágrima.

Para quem não conhece, This is Us é uma série dramática americana criada por Dan Fogelman e transmitida pela emissora NBC. Eu sei que a palavra “drama” já faz muita gente sair correndo. Mas, vai por mim, This is Us é lindo demais. Ela trata da relação de um grupo de pessoas que nasceram no mesmo dia. Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia) são um casal esperando trigêmeos em Pittsburgh. Kevin (Justin Hartley ) é um belo ator de televisão que está cansado de fazer papéis superficiais, Kate (Chrissy Metz) é uma mulher obesa que vive uma eterna luta para perder peso e Randall (Sterling K. Brown) reencontra seu pai biológico William Hill (Ron Cephas Jones) que o abandonou quando ele era apenas um bebê recém-nascido.

Jack, Kevin, Kate e Randall compartilham o mesmo dia de aniversário, 31 de agosto. Kevin, Kate e Randall no dia 31 de agosto de 1980 e Jack em 1944. Aliás, eu mesma poderia fazer parte dessa série, nasci no mesmo dia que o grande trio.

A série segue os irmãos Kate, Kevin e Randall, enquanto suas vidas se entrelaçam. Kate e Kevin eram originalmente parte de uma gravidez de trigêmeos, que foi descoberta no banheiro do Froggy’s, um bar, durante o Super Bowl XIV. A data de nascimento dos dois era prevista para 12 de outubro de 1980, mas eles nasceram seis semanas antes, em 31 de agosto. O irmão biológico da dupla morreu no parto. Seus pais, Jack e Rebecca, com a intenção de levar três bebês para casa, decidem adotar outro recém-nascido: Randall, um bebê negro nascido no mesmo dia, que foi levado para o mesmo hospital depois que seu pai biológico o abandonou em um corpo de bombeiros. – Wikipédia

A premissa é bastante simples. É um drama do cotidiano, de uma família que muito bem poderia ser a minha ou a sua. E é justamente aí que ela nos toca bem nas feridas. Situações com as quais podemos facilmente nos relacionar. É o tipo de série que nos faz sentir. Fala de família, de amor, de perdas, de superações, de aceitação, de perdão, de reencontros, enfim… Vou deixar o trailer falar por mim (não consegui trailer oficial legendado, então vai esse):

 

Se eu fosse você daria uma olhada nessa série. Com os lencinhos do lado. Se você tiver o mínimo de empatia, vai chorar igual criança. Se tiver vivido situações semelhantes então – como eu mesma vivi algumas retratadas ali – vai verter uma verdadeira cachoeira. Mas mesmo assim não me arrependo de nada. Pelo contrário, todos deveriam assistir.

Não vejo a hora de conseguir assistir a segunda temporada!

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Resenha do filme A Cabana – emocionante, toca a alma.

Assisti ontem ao filme A Cabana e o que eu tenho a dizer é: assistam. O filme é simplesmente transformador, edificante, e pode mudar sua maneira de ver as coisas.  É como um afago aos corações mais sofridos. Mas é capaz também de nos fazer encarar de maneira honesta nossas próprias dores.

A Cabana

Para quem não leu e nem viu o filme, eis a sinopse: A filha mais nova de Mack, Missy, desapareceu durante as férias da família e as evidências encontradas em uma cabana abandonada em meio às florestas do estado do Oregon apontam para um brutal assassinato. Quatro anos depois, em meio a uma Grande Tristeza, como ele mesmo descreve, Mack recebe uma carta suspeita, aparentemente escrita por Deus, convidando-o a voltar à cabana para um final de semana. Contra seus melhores argumentos, Mack chega ao local em uma tarde fria e caminha em direção ao seu pior pesadelo. O que ele encontrará ali vai mudar sua vida para sempre.

Acredito que quando a a Sam da Otagai me enviou o ingresso para ver o filme A Cabana ela não imaginava o tamanho do presente que estaria me dando, do bem que me faria. Eu não tenho palavras para agradecer.

Dito isso, preciso avisar a vocês que a partir daqui contém spoilers.

O livro do escritor canadense William P. Young foi lançado no Brasil em 2008. Não lembro exatamente quando foi que eu o li, mas lembro as emoções que me causou. Um livro lindo, de uma sensibilidade absurda, que nos toca profundamente. Na época que li eu já havia perdido o meu pai e certamente me ajudou nesse processo.

Agora, 1 ano depois de ter perdido a minha mãe, o ingresso para ver o filme veio para mim como o convite que Mack recebe para ir encontrar Papai na cabana. Ir à cabana mudou a vida de Mack, bem como assistir ao filme está mudando a minha vida. A Cabana funciona como uma verdadeira catarse, e eu não consigo encontrar palavras para explicar para vocês a intensidade da experiência sem me tornar redundante. Eu chorei praticamente o filme todo.
A Cabana

A doce filhinha de Mack é sequestrada e assassinada. Mack se culpa profundamente por não ter conseguido salva-la. Se culpa por ter desgrudado os olhos dela por um segundo pra salvar seus outros filhos de morrerem afogados no lago em que brincavam. Culpa a Deus por ter permitido que um psicopata fizesse mal à sua garotinha. A perda de Missy abala quase que irremediavelmente a dinâmica da família que era unida e se amava demais. A tristeza está afastando os filhos do pai. E o pai não consegue lidar com a própria dor.

Ao receber a carta, a princípio, Mack acredita ser uma brincadeira de mau gosto de alguém. Mas está sofrendo tanto que resolve ir até o local. É lá que tudo começa a mudar. Ele encontra Deus. E esse encontro é a coisa mais emocionante que você vai ver.

Deus aparece em três formas. Papai ( interpretada pela atriz Octavia Spencer) mostrando que Deus pode tanto ser pai quanto ser mãe, dependendo da sua necessidade do momento. Aviv Alush interpreta Jesus, um cara amigo e acessível, cheio de bondade, indulgência e amor no coração. O tipo de pessoa que você se sente à vontade de estar perto. Sumire interpreta Sarayu (Espírito Santo) de maneira delicada e carinhosa, sua fala é suave e doce, quase como um anjo.

A Cabana
Jesus, Mack, Papai e Sarayu

Imediatamente, quando Mack chega à cabana, você tem vontade de ter ido junto com ele receber um abraço gostoso de Deus. A sensação que se tem é de ter finalmente chegado em casa depois de um período de escuridão e desespero. A simbologia disso tudo é muito forte, principalmente quando você liga as peças ao final do filme.

Eu já chorei no início junto com Mack quando ele perde sua filhinha. Mas a parte que me fez abrir a cachoreira de emoções foi quando Alice Braga, a sabedoria, aparece na tela e pede para Mack julgar o bem e o mal. Esse é o momento em que a catarse acontece de verdade. O tempo inteiro que ele está na cabana ele está revoltado com Deus. Se sente mais à vontade do lado de Jesus, e Sarayu consegue com que ele fique um pouco mais sereno. Mas a mágoa que ele tem de Deus é grande demais, até que se vê na situação em que tem que se colocar no lugar de Deus e julgar e condenar seus filhos. É nesse momento que ele realmente entende os designos de Deus e eu também.

O filme é todo sobre perdão e amor. Antes de qualquer coisa, Deus o ajuda a perdoar a si mesmo. A entender que a culpa de Missy ter se perdido de maneira tão trágica não era de Mack. É um processo doloroso. Mas ainda mais difícil para ele foi perdoar Deus. Ele questiona o tempo todo porque Deus deixou que aquilo acontecesse com sua filhinha. Será que Deus não amava Missy? Claro que amava. E Deus mostra que sempre sofre junto de seus filhos e não os abandona um segundo sequer. Quando Mack perdoa Papai é como um peso saísse dos ombros dele e dos nossos ombros também. Porém ainda falta a parte mais difícil: perdoar o assassino de sua filha. Parece impossível, mas Papai explica que estará sempre nos ajudando a perdoar.

A Cabana

Nesse momento que eu lembro da oração “perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Com a licença de Deus eu gosto de orar da seguinte forma “perdoai nossas ofensas e ensina-nos a perdoar a quem nos tenha ofendido”. Faço isso, pois ainda estou aprendendo a perdoar, e preciso muito da ajuda de Papai para fazê-lo.

Sinto que, com tudo que me aconteceu – perder primeiro meu pai e mais recentemente minha mãe, fora outras coisas tristes da minha vida – me afastei de Deus. Me revoltei contra ele, fiquei magoada. E continuo magoada. Mas sinto saudade de Papai como sinto saudade dos meus pais. Me dói muito tudo isso. Eu gostaria de ir até a cabana. Me faria um bem tão grande ter esse privilégio de ter Deus me ajudando a organizar meu jardim de emoções que anta uma bagunça assim como o jardim de Mack. Muito embora eu saiba que não é possível, o filme me levou bem perto disso. E eu só tenho a agradecer.  Eu sei que Papai me perdoa por ter ficado brava com ele.  Mas agora eu preciso buscar seu afago.

A Cabana é um filme que todos deveriam assistir. Principalmente aqueles que já perderam alguém e estão lidando de alguma forma com o luto. Preparem os lenços, vocês vão precisar.

A Cabana
Papai mandou dizer <3
Mais informações:

Estrelado por Sam Worthington, Octavia Spencer, Avraham Aviv Alush, Radha Mitchell, Alice Braga, Sumire, Amelie Eve, Megan Charpentier, Gage Munroe, Graham Greene e Tim McGraw.

Direção de Stuart Hazeldine.

Escrito por William Paul Young, em colaboração com Wayne Jacobsen e Brad Cummings.

Roteiro por John Fusco e Andrew Lanham & Destin Cretton.

Produzido por Gil Netter, Brad Cummings.

Todas as imagens do post são do site oficial do filme.

Facebook do filme no Brasil: https://www.facebook.com/acabanaofilme/