Empatia está na moda…

…mas quase ninguém põe em prática. Muitas pessoas não sabem sequer o significado da palavra usada repetidamente – até mesmo por mim – mas a maioria não põe em prática porque empatia dá trabalho. A verdade é essa: muitos tem preguiça de se colocar no lugar do outro.

empatia

Isso mesmo, preguiça. Porque se colocar no lugar de outra pessoa e tentar entender genuinamente o que essa pessoa está sentindo dá um trabalho enorme. Dá trabalho e é cansativo.

Imagine que você está tendo um dia incrível. Tudo correu bem no trabalho, você não se estressou no caminho de ida e nem de volta, seu almoço foi ótimo e tudo está correndo bem. Tudo o que você quer é tomar um banho. Relaxar e dormir bem. Mas aí você recebe uma mensagem no seu WhatsApp com a notícia que a mãe de uma amiga faleceu. O que você faz?
a- Finge que não viu a mensagem e deixa pra responder no dia seguinte;
b – Manda uma mensagem dizendo que sente muito, mas entra no banho e vai relaxar mesmo assim – afinal de contas nada vai estragar o seu dia perfeito, né?
c – Recebe a notícia com pesar, sente a dor como se fosse sua, liga pra sua amiga e vai correndo até ela vê-la e confortá-la no que puder?

Acredite ou não, na prática, são pouquíssimas as pessoas que largam tudo para ajudar um amigo. Assim como são poucas as pessoas que sentem a alegria que o amigo está sentindo. Muitos até resmungam porque acha que nenhuma dor é pior que a sua própria e se ressentem da felicidade alheia. Sim, a mais pura verdade é essa: tem muita gente egoísta assim. Aliás, se pararmos para avaliar bem direitinho perceberemos que a origem de todos nos nossos males é o egoísmo. Mas isso é assunto pra um outro artigo.

Sim, se colocar no lugar do outro que sofre é sair da nossa zona de conforto. Aquela zona gostosinha e feliz da qual já falei aqui antes. Aquela que tudo bem ficar de vez em quando. Afinal batalhamos tanto né? Merecemos nosso descanso, nosso momentinho de relax. É uma maravilha poder tomar um chocolate quente e relaxar. E tudo bem.

Mas quando alguém precisa que nos coloquemos no lugar dele… ah… como é difícil. Como é complicado. Como fingimos faze-lo usando palavras doces nos nossos discursos de internet, quando na vida real estamos cagando e andando. Tentar sentir o que o outro está sentindo é difícil demais. Sabe por que? Porque só de imaginar a dor do outro corremos o risco de sufocar. Então é mais fácil ser superficial e dizer “Fulano reclama de barriga cheia”, “Fulaninha só reclama, parece carência.” “Nossa, eu no lugar dela não estaria tão triste. É uma bobagem!” “Racismo? Ah, racismo não existe.”

Está chocado? Nada disso é inventado, são exemplos que eu mesma já presenciei. Vou dar mais um exemplo pessoal aqui. Ouvi de uma pessoa que se dizia minha amiga quando havia poucos meses que havia perdido a minha mãe a seguinte frase: “Você é muito apegada ao luto. Fica postando sua tristeza no Facebook, fica parecendo carência.” Legal né? Super amiga essa. Fiquei super magoada e o que eu disse para ela foi o seguinte: “Experimenta perder a sua mãe primeiro e depois vem julgar a minha dor, ok?” Sabe como ela interpretou isso? Como se eu tivesse rogando praga para a mãe dela. O que é no mínimo risível. Primeiro: eu não acredito em pragas, isso é coisa de gente tacanha e pequena. Segundo: Eu jamais faria mal a alguém ou desejaria o mal de alguém, minhas amigas de verdade sabem disso porque me conhecem. Terceiro, e mais importante: tudo o que eu quis dizer para ela foi que ela precisava se colocar no meu lugar antes de tratar um assunto importante para mim com tanta leviandade. Eu pedi empatia. Algo que jamais deveria ter que ser pedido, principalmente de alguém que se dizia tão minha amiga. Talvez, na hora da mágoa eu não tenha escolhido as melhores palavras para me expressar ao pedir compaixão. E esta é a única coisa da qual eu me desculpei. De todo o resto não. Acabou que ela não era minha amiga, nem nunca tinha sido. E tudo bem, pois meus amigos de verdade se colocaram sim no meu lugar e me deram o colo que eu precisava.

Exemplos de falta de empatia no mundo não faltam. Aposto que aconteceram diversas coisas com você que está me lendo agora. Pessoas que foram levianas com seus sentimentos porque não queriam se dar ao trabalho se sentir algo ruim ou triste ao se colocar no seu lugar. Acontece todos os dias. Em todos os momentos. Na internet e fora dela. Mas para e pensa: você tem tratado o seu próximo como gostaria de ser tratado?

Museu da Empatia – Caminhando em seus sapatos…

Em um outro post meu eu questionei se empatia poderia ser ensinado. Eu não tenho a resposta para isso, mas existe atualmente em São Paulo uma exibição sobre o assunto .Para quem deseja entender um pouco melhor que história é essa de empatia, a exposição está acontecendo no Parque do Ibirapuera. Com a curadoria da Intermuseus,  a instalação é composta de uma caixa de sapatos gigante com uma coleção de sapatos e histórias de seus donos. Estas histórias vão desde experiências de superação após o luto, até casos de preconceito, gordofobia, LGBTfobia e outros relatos. A exposição busca promover uma reflexão sobre a importância da empatia.

Foto do site Intermuseus

Dentro de uma caixa de sapatos gigante, o público vai encontrar uma coleção de diferentes sapatos e de histórias que abordam nossa diversidade e nosso pertencimento comum à humanidade. Ao escolher um par de sapatos, o visitante pode calçá-los e caminhar pelo espaço enquanto ouve pelo fone de ouvidos a história da pessoa à qual eles pertenceram. A instalação propicia uma experiência participativa e envolvente e convida o público a repensar as relações sociais de preconceito, conflito e desigualdade. O público poderá escolher entre 25 depoimentos de cerca de 10 minutos, todos captados e editados especialmente para a edição brasileira do projeto.

O Brasil não é o primeiro país do mundo a receber o Museu da Empatia. Depois da primeira exposição feita em Londres, a exposição percorreu outras cidades inglesas e países como Austrália e Irlanda.

Serviço: Parque do Ibirapuera
18 de novembro a 17 de dezembro de 2017
                   terça a sexta, 10h às 19h / sábados e domingos, 11h às 20h
                   Grátis / 25 pessoas por vez (senhas distribuídas no local) – A instalação é indicada para maiores de 14 anos. Menores desta idade poderão visitar acompanhados dos pais ou responsáveis.