BioCouture – E se os tecidos das roupas fossem feitos de micro organismos vivos?

Não, não estou falando em se fantasiar de yakult. Estou falando da BioCouture, uma empresa britânica, baseada em Londres que desenvolve tecidos cultivados a partir de micro-organismos vivos.

BioCouture

Basicamente o que a BioCouture faz é usar uma mistura simbiótica de levedura e bactérias. Em uma espécie de banheira, com  fermento, uma pitada de bactérias e várias xícaras de chá verde e açúcar. As fibras começam a brotar e se propagam, resultando em folhas finas e úmidas de celulose bacteriana que podem ser moldadas em uma forma de vestido.

Suzanne Lee, que foi pesquisadora da Escola de Moda e Têxteis do Central Saint Martins, é o cérebro por trás deste experimento da BioCouture. Ela diz que seu método de fermentação e cultura dos tecidos resulta em uma espécie de “couro vegetal“.

BioCouture

À medida que as folhas secam, as bordas sobrepostas “sentiam” juntas para se tornar costuras fundidas. Quando toda a umidade se evapora, as fibras desenvolvem uma superfície que se assemelha a um de tipo papiro, que pode ser branqueada ou tingida com corantes de frutas e vegetais, como açafrão, índigo e beterraba.

BioCouture

A vantagem de roupas feitas assim, é que não apenas são biodegradáveis, como também servem de adubo. Depois de usar, você pode jogar fora as roupas, ou colocar na terra. Sabe, como algumas pessoas que cultivam plantas fazem ao colocar cascas de frutas e verduras na terra? Tipo isso. Sustentabilidade total!

Dá só uma olhada nesse vídeo em que Suzanne Lee explica como o processo de cultivação dos tecidos acontece (caso você não compreenda inglês, tem como ativar a legenda em português):

Não é muito incrível essa tecnologia? Para mim, a primeira impressão foi de estranheza total e até um certo “nojinho“. E vocês o que acham dessa ideia de roupas e sapatos feitos a partir de bactérias? Muita loucura? Ou “Ok, este é o futuro“?

Deixe sua opinião nos comentários!

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Chanel Cruise 2018 e a Grécia Antiga

Eu tenho uma relação especial com a cultura grega, principalmente sua mitologia. Foi ainda criança que tive o primeiro contato com os mitos e nunca mais larguei. É uma paixão antiga minha. No meu antigo blog Democracia Fashion, eu tenho vários posts sobre o tema. Uma outra paixão minha sempre foi a moda. Agora mistura essas duas coisa. Gente, simplesmente amo! E é por isso que quando vi o tema do último desfile da coleção Chanel Cruise 2018 , fiquei feliz da vida.

No Democracia Fashion eu falei muito sobre história da moda, porém a partir da Belle Époque (1890-1914). Aliás, foi ali no final da Belle Époque que Gabrielle Coco Chanel abriu sua primeira loja a Chanel Modes, que inicialmente vendia chapéus e acessórios. Pouco depois de abrir sua loja de chapéus ela lançou também sua primeira coleção revolucionária pra moda, mudando completamente a maneira de se vestir das mulheres daquela época. Graças a Gabrielle Chanel, as mulheres se livrariam dos apertados espartilhos e passariam a se vestir com mais simplicidade.

O vestuário na Grécia Antiga

Simplicidade, leveza e graça, são adjetivos que podemos dar às vestimentas da Grécia Antiga. Durante os períodos Arcaico (700-480 a.C.), Clássico (480-323 a.C.) e Helenístico (323-30 a.C.), as vestimentas sofreram algumas alterações. Indo do geometrismo e simplicidade, drapeados de lã, tecidos rústicos e túnicas lineares; passando por harmonia e equilíbrio roupas com drapeados, penteados femininos bem elaborados; chegando ao luxo e riqueza de detalhes mas mantendo a leveza dos tecidos finos transparentes e com detalhes em ouro.

E ao contrário do que muito gente pensa –  devido às estátuas brancas desbotadas pelo tempo e incansavelmente reproduzidas depois sem cor –  os gregos adoravam cores. Tingiam seus tecidos e no período Arcaico as cores predominantes eram branco, vermelho, azul e amarelo. Já no período clássico eram branco e púrpura. E no período Helenístico, o rosa, o verde e o dourado.

A coleção da Chanel Cruise 2017/2018

Grabrielle Chanel também tinha uma relação especial com a antiguidade. E Karl Lagerfeld resolveu mergulhar no passado da marca trazendo ela coleção lindíssima.

Ele mistura elementos atuais com várias referências da Grécia antiga. Podemos ver estampas nos vestidos que remetem às ânforas gregas com desenhos geométricos e silhuetas de heróis. O desfile começa com peças de tecido mais rústico remetendo ao período arcaico em tons neutros ou terrosos. Aos poucos ele vai inserindo cores como azul, rosa e preto, ora em tecidos leves esvoaçantes e plissados, ora em tecidos mais rústicos. Alguma transparência também é apresentada, bem como o dourado. E há um inegável romantismo em todas as peças. Mesmo naquelas que lembram levemente as armaduras que os gladiadores usavam.

Desfile Chanel Cruise 2018

Desfile Chanel Cruise 2018

As sandálias são no estilo gladiadora, com suas faixas indo até os joelhos, porém tem saltos que se assemelham a colunas gregas de estilo jônico. Em cores vivas e em preto. Há também as douradas que vão somente até o tornozelo.

Desfile Chanel Cruise 2018 - Sandálias

Emfim, está lindo! Dá uma olhada no vídeo disponibilizado no youtube da Chanel:

No que se inspirar para sair por aí como uma Deusa Grega contemporânea

Se eu pude$$e, teria várias peças. Mas já que não dá, no que podemos nos inspirar?
Nas cores, nos tecidos e até mesmo nos acessórios. Os penteados não são tão elaborados, mas trazem ornamentos que lembram os diademas das deusas gregas.

Uma coisa que super combina com o nosso clima, são as saias e vestidos leves e plissados. Outra coisa é investir em estampas que remetam à Grécia. Sabendo escolher, dá para criar um look elegante com ar de deusa sim.

Desfile Chanel Cruise 2018

E aí, o que acharam da coleção? Me contem nos comentários!

FOTOS: Getty Images e Divulgação/Chanel

O que é o Met Gala 2017 e o tema deste ano

Vocês devem ter visto uma enxurrada de fotos de celebridades com vestidos e roupas extravagantes, podemos dizer assim. Como vocês devem saber, se tratava do Met Gala 2017, mas o que é isso? É uma premiação tipo o Oscar? É uma  pré-estréia de algum filme? Calma que vou explicar pra vocês.

Mas o que é o Met Gala 2017 (e porque as pessoas vão vestidas de um jeito esquisito)?

O Met Gala é um evento beneficente realizado todo ano (sempre na primeira segunda-feira de Maio)  no Metropolitan Museum de Nova York. Esse evento arrecada fundos para o Costume Institute, o departamento de moda do museu (o único departamento que precisa se financiar por conta própria.).

| Confesso que quando descobri que era beneficente fiquei animada e achei bacana… mas aí, quando vi que era pra isso fiquei meio decepcionada. Eu sei da importância da moda (sou stylist além de tudo), mas pelo amor de Deus né, com tanta gente passando necessidade, tanta pesquisa na área da saúde precisando ser feita…Mas vamos focar no assunto, pra não se irritar muito. |

O evento é tão grandioso que pode ser considerado o Oscar da moda. Anna Wintour é quem comanda o evento desde 1999 e a cada ano o evento tem um tema diferente. E é aí que entra a questão das roupas esquisitas das celebs que vão ao famoso baile, que nós, mero mortais, sequer podemos sonhar.

Katy Perry no Met Gala 2017

Gosto é uma coisa que não se discute né. Tem muita bizarrice nesses eventos, mas tem coisas legais também. Porém, antes de criticar o look de alguma celebridade (como o da Katy Perry por exemplo que parecia estar fantasiada de noiva do capiroto neste Met Gala 2017), é preciso entender o contexto da coisa toda.

Rei Kawakubo / Comme des Garçons: Art of the In-Between

O tema deste ano é uma coisa até bem bacana. Trata-se das criações vanguardistas e experimentais da estilista e fundadora da marca Comme des Garçon,  Rei Kawakubo.
A estilista japonesa, depois de trabalhar um tempo como freelancer, fundou a Comme des Garçons em Tokyo no ano de 1969, levando a marca para Paris apenas em 1982.

Met Gala 2017
Estilista Rei Kawakubo

Suas peças chamam a atenção por serem roupas que vão contra o que é ditado pela moda. São roupas de corte assimétrico, por vezes estruturais, volumosas e complexas.  As peças são por muitos consideradas arte em forma de roupa. E, por essa razão, este ano as criações de Rei ganham uma exposição no Met, que conta com 150 peças e fica em cartaz até dia 4 de setembro.

Met Gala 2017

Um exemplo claro do trabalho de Rei é a roupa que Rihanna usou no Met Gala 2017. Essa peça é uma das criações da estilista e está na exposição. Mas não significa que quem vai ao baile necessariamente precisa vestir uma das roupas da estilista. O que pode ser feito (e geralmente é assim que é feito) é o convidado dar uma interpretação própria ou releitura do tema. Como a criatividade não tem limites e a ideia é sempre aparecer mais que o coleguinha, nesse momento é que as bizarrices acontecem, entende?

Met Gala 2017
Exposição Rei Kawakubo / Comme des Garçons: Art of the In-Between

Rihanna no Met Gala 2017

Aqui embaixo tem um videozinho do próprio site do Met que mostra um pouco do trabalho que está exposto.

Se estiver por NY, dá uma passada lá. O Met fica na 5ª Avenida. 😉