BioCouture – E se os tecidos das roupas fossem feitos de micro organismos vivos?

Não, não estou falando em se fantasiar de yakult. Estou falando da BioCouture, uma empresa britânica, baseada em Londres que desenvolve tecidos cultivados a partir de micro-organismos vivos.

BioCouture

Basicamente o que a BioCouture faz é usar uma mistura simbiótica de levedura e bactérias. Em uma espécie de banheira, com  fermento, uma pitada de bactérias e várias xícaras de chá verde e açúcar. As fibras começam a brotar e se propagam, resultando em folhas finas e úmidas de celulose bacteriana que podem ser moldadas em uma forma de vestido.

Suzanne Lee, que foi pesquisadora da Escola de Moda e Têxteis do Central Saint Martins, é o cérebro por trás deste experimento da BioCouture. Ela diz que seu método de fermentação e cultura dos tecidos resulta em uma espécie de “couro vegetal“.

BioCouture

À medida que as folhas secam, as bordas sobrepostas “sentiam” juntas para se tornar costuras fundidas. Quando toda a umidade se evapora, as fibras desenvolvem uma superfície que se assemelha a um de tipo papiro, que pode ser branqueada ou tingida com corantes de frutas e vegetais, como açafrão, índigo e beterraba.

BioCouture

A vantagem de roupas feitas assim, é que não apenas são biodegradáveis, como também servem de adubo. Depois de usar, você pode jogar fora as roupas, ou colocar na terra. Sabe, como algumas pessoas que cultivam plantas fazem ao colocar cascas de frutas e verduras na terra? Tipo isso. Sustentabilidade total!

Dá só uma olhada nesse vídeo em que Suzanne Lee explica como o processo de cultivação dos tecidos acontece (caso você não compreenda inglês, tem como ativar a legenda em português):

Não é muito incrível essa tecnologia? Para mim, a primeira impressão foi de estranheza total e até um certo “nojinho“. E vocês o que acham dessa ideia de roupas e sapatos feitos a partir de bactérias? Muita loucura? Ou “Ok, este é o futuro“?

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Design de caixão? Conheça o trabalho de Paa Joe

Estava eu em minha aula no sábado passado, tranquila, anotando tudo como uma boa aluna, quando a professora começa a falar de Paa Joe, um artista/ designer de caixões. Sim, design de caixão existe gente! Daí você pensa “nossa, que coisa macabra” e meio que torce o nariz. Até você ver as coisas que o ganês Joseph Ashong faz. Mais conhecido como Paa Joe, ele é considerado o mais importante artista de caixão de sua geração. Seus caixões fantasiosos estão nas coleções de muitos museus de arte em todo o mundo, incluindo o British Museum em Londres.

Design de caixão

Dá só uma olhada em algumas coisas que ele já fez.

Design de caixão
Sim, isso é um caixão!

Design de caixão

Design de caixão

Design de caixão

Design de caixão
Conheço gente que gostaria de ser enterrada em uma garrafa de Coca-Cola hehehe

Design de caixão

Design de caixão

Paa Joe começou sua carreira aos 12 anos de idade como aprendiz de artista de caixão na oficina de Kane Kwei (1924-1992) em Teshie. Em 1976, Paa Joe iniciou seu próprio negócio em Nungua. Ele treinou muitos jovens artistas como Daniel Mensah, Eric Kpakpo ou Kudjoe Affutu que também se tornaram artistas de caixões muito bem-sucedidos. Sim, gente, isso existe!

Em 2007, Paa Joe mudou sua oficina de Nungua para Pobiman (Greater Accra), onde trabalha com seus filhos Jacob e vários outros colaboradores. Em 2013, Paa Joe foi convidada para uma residência de seis semanas para Nottingham, Grã-Bretanha.

Em 2016, o diretor Benjamin Wigley e a produtora Anna Griffin da Grã Bretenha, fizeram um documentário chamado  “Paa Joe and the Lion“. Nele, é possível ver um pouco da personalidade do artista, seu processo criativo super simples e autêntico (sem aquelas presepadas de artistas contemporâneos pedantes sabe?) e muitos dos caixões criados por ele. No trailer dá pra ter uma ideia de que ele leva a vida de maneira bem humilde. Um trabalhador com sua batalha diária.

Paa Joe & The Lion Trailer from Benjamin Wigley on Vimeo.

O que eu acho disso tudo? Acho o máximo! Pois a vida é curta demais para a gente levar tudo a sério. E a morte, por mais dolorosa que seja para quem fica (experiência própria), é apenas uma passagem pela qual todos nós passaremos. Então por que não fazê-la de maneira mais leve (dentro do possível)?

E vocês, o que acharam desses caixões fantasiosos?

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Arte & Design: Um pouco sobre os Irmãos Campana

Oi gente, como foram de Carnaval? Espero que rudo certinho! Hoje vim falar pra vocês um pouco dos Irmãos Campana. Para quem não conhece, eles são uma dupla  de designer brasileiros de reconhecimento internacional.

Quando fui estudar design na Itália em 2005, os caras já eram famosos internacionalmente pelo seus trabalhos de design-arte. Foi super bacana estar em outro país e ver que o trabalho deles era citado na faculdade. Dá aquele orgulho sabe?

Os irmãos Humberto e Fernando Campana focam seu trabalho em objetos do cotidiano, transformando-os em peças de caráter artístico, com uma linguagem única, bastante característica e até de uso possível. Impossível não bater os olhos numa peça deles e não  reconhecer o trabalho deles.

Eles receberam vários prêmios com seu trabalho, alguns de arte e outros de mobiliário residencial, em diversos lugares do mundo. Entre alguns trabalhos bastante famosos estão:

Irmãos Campana

A dupla também faz vários trabalhos de design de interiores, cenografia, moda e esculturas urbanas. Mais do trabalho deles pode ser visto no site dos irmãos, incluindo seus trabalhos mais recentes.

Os Irmão Campana farão uma palestra imperdível no Instituto Europeo di Design, no dia 11 de Março no evento promovido pelo instituto, o Design Degustação. E querem saber o mais bacana? O evento é gratuito! Estou ansiosa pra ir ver os workshops e palestras. Para poder ir basta se inscrever no site do IED.

Falando em design e arte, vocês já viram a série de documentários da Netflix  Abstract: Art of Design? Dá uma olhada no post que fiz sobre a série clicando aqui. 🙂

Beijos e até a próxima! Quem sabe não nos vemos lá no Design Degustação, né?