Amizade verdadeira requer dedicação

Oi! Tudo bem com vocês? Eu venho refletindo sobre relacionamentos há algum tempo. Especialmente sobre amizade. Para mim, todo tipo de relacionamento tem as mesmas bases: confiança, respeito, etc. E a amizade é uma das coisas mais importantes da vida. Mas amizade não cai do céu, não é miojo que fica pronto em 3 minutos (parafraseando minha amiga Lilian), não é instantânea como amor à primeira vista (ah é, isso não existe também!). Amizade boa mesmo pra valer, é preciso cultivar.

amizadeProjetado pelo Freepik

Eu já li frases que afirmam que uma amizade verdadeira é aquela em que duas pessoas podem ficar sem se falar ou se ver mas quando se encontram a cumplicidade é a mesma de sempre. Bonito né. Mas isso aí funciona só até a página 20. Ou melhor, passa a funcionar bem depois da página 20. Para ser assim a amizade precisa ser construída, regada, alimentada, não apenas conquistada com palavrinhas fofas. Palavras fofas são boas de ouvir, mas são as ações que provam alguma coisa.

Amizade verdadeira não é perfeita, tem altos e baixos, mas por ela vale a pena trabalhar e lutar

No final do mês passado eu fui a São Paulo rever uma das minhas melhores amigas. Minha amiga-irmã de coração. Amiga com quem falo todos os dias. Foi ótimo, divertido, leve e feliz. Momentos alegres e divertidos que ficarão para sempre na memória e em meu coração. Porém essa amizade que dura mais de 15 anos foi construída, cuidada, alimentada e cultivada. Teve momentos de afastamentos e desentendimentos também. Porque somos humanas e portanto imperfeitas. E tudo bem. O importante foi que ao crescermos, amadurecemos, aparamos arestas e aprendemos uma com a outra. Mais importante ainda foi que nos demos conta que a nossa amizade vale a pena. Por ela vale apena engolir o orgulho e consertar as coisas. Deixar o ego de fora. Tentar não errar de novo.

E se errarmos, saber voltar atrás, pedir desculpas e continuar no caminho lado a lado. Mas sem pisar em ovos. E sim, sabendo respeitar os limites de cada uma. Uma amizade que vale a pena dá sim trabalho. Mas é um trabalho de amor, entende? Tudo que vale a pena requer dedicação. E só depois de anos desse “trabalho” carinhoso é que se conquista o silêncio confortável, e a distância que não muda as coisas.

Eu tenho amigos incríveis. Valorosos. Alguns nunca vi pessoalmente, no entanto sei que estou no coração deles e eles no meu. E por Deus, sou muito grata por isso. Muito abençoada mesmo. Cada vez que eu falo com um deles, pinga uma luzinha no coração. E isso não tem preço. Pessoas que mesmo de longe conseguiram demonstrar carinho e preocupação comigo. Amigos que ofereceram ombro e ouvidos ainda que virtualmente. Amigos que viajaram só para me encontrar nos momentos mais difíceis da minha vida. Eu já contei né que tenho amigos em várias partes desse mundo, graças a Deus. E por mais que eu não os veja sempre, os carrego no meu coração. Mas isso não caiu do céu, isso foi construído, mesmo quando houve aquele bem querer à primeira vista.

Sem possessividade

Uma outra coisa que vale lembrar é que um amigo não é propriedade sua. É permitido ter mais de um amigo. Não entre naquele jogo de que o amigo é seu e demais ninguém. Isso é posse, isso é doentio, e ninguém gosta de se sentir sufocado. Não precisa ter medo. Seu amigo não vai fugir com outro. Ele vai continuar lá pra você pro que você precisar. E quer saber o mais legal de tudo? Você também pode se tornar amigo do seu amigo se deixar os ciúmes de lado e dar uma chance de conhecer gente nova. It’s a win win situation, percebe? Quanto mais amigos melhor, só temos a ganhar.

Não confundir coleguismo com amizade!

Acredito que uma das coisas que mais me incomoda nos dias de hoje é a superficialidade das relações. A maneira como tudo se tornou tão descartável. Amizades e amores se tornaram descartáveis. O que me leva a refletir sobre a confusão que fazemos constantemente. Colega não é amigo. Pode vir a ser, se tornar um, mas não é necessariamente um amigo. Um colega de classe, um colega de curso de teatro, um colega de trabalho, pode sim virar seu amigo, mas se não virar, tudo bem. Não precisamos ser amigos de todo mundo. E reconhecer isso requer maturidade.

Pois não adianta se dizer amigo e no momento em que sair da escola / faculdade / trabalho, a primeira coisa que faz é esquecer os supostos amigos que ficaram para trás. Não, não precisa do convívio diário para transformar um colega em amigo, mas é preciso sim, o mínimo de dedicação, de interesse, quando o convívio deixa de ser tão constante.

Colega, amigo de festa, amigo para todas as horas, melhores amigos, cada tipo de amigo ou colega tem o seu valor e sua importância para nossas vidas. Mas é preciso saber discernir as coisas. É preciso prestar atenção em quem confiar ou não. Infelizmente, às vezes, é preciso se blindar um pouco. Mas a melhor coisa da vida é poder confiar em alguém, ter amigos para todas as horas, se aprofundar nos laços criados.

É gratificante ter em quem confiar, para os momentos difíceis e também para os momentos leves de pura alegria. Somos seres sociais que só temos a crescer com as convivências. E um amigo de verdade acaba nos ajudando a crescer e melhorar como seres humanos. Mas para isso não podemos ser rasos. (Sobre esse assunto, me aprofundarei mais tarde ;))

Só tenho a agradecer

As pessoas que passaram pela minha vida e as que ainda se mantém nela, cada uma delas me ensinou alguma coisa. Por amor ou pela dor. Mas o fato é que eu tenho muito, muito mesmo a agradecer aos meus amigos queridos. Eu procuro a cada dia ser uma amiga melhor, ser uma pessoa melhor, sempre tentando crescer como pessoa. E se eu consigo me manter na luz, é por causa do amor dos meus amigos. Obrigada, obrigada de coração.

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This is Us – a série que todos deveriam assistir

Já aviso logo: me acabei de chorar assistindo a primeira temporada This is Us. E, apesar da ressaca moral, posso afirmar categoricamente que a série é maravilhosa.

This is Us

Se você se liga em premiações, deve ter pelo menos ouvido falar desta série nessa semana. No último domingo (dia 07/01), o ator Sterling K. Brown fez história ao ser o primeiro ator negro a vencer um Globo de Ouro. E olha, o cara mereceu. Aliás o elenco todo merece. São todos maravilhosos, mexem com nosso coração em suas interpretações primorosas. Cada um deles. Sério mesmo. Brilhantes!

Fazia tempo que eu queria assistir à essa série. Já havia ouvido falar bastante e vi trailer. Logo me interessei. Mas só agora consegui conferir no serviço de streaming da Amazon, o Amazon Prime. Valeu cada lágrima.

Para quem não conhece, This is Us é uma série dramática americana criada por Dan Fogelman e transmitida pela emissora NBC. Eu sei que a palavra “drama” já faz muita gente sair correndo. Mas, vai por mim, This is Us é lindo demais. Ela trata da relação de um grupo de pessoas que nasceram no mesmo dia. Rebecca (Mandy Moore) e Jack (Milo Ventimiglia) são um casal esperando trigêmeos em Pittsburgh. Kevin (Justin Hartley ) é um belo ator de televisão que está cansado de fazer papéis superficiais, Kate (Chrissy Metz) é uma mulher obesa que vive uma eterna luta para perder peso e Randall (Sterling K. Brown) reencontra seu pai biológico William Hill (Ron Cephas Jones) que o abandonou quando ele era apenas um bebê recém-nascido.

Jack, Kevin, Kate e Randall compartilham o mesmo dia de aniversário, 31 de agosto. Kevin, Kate e Randall no dia 31 de agosto de 1980 e Jack em 1944. Aliás, eu mesma poderia fazer parte dessa série, nasci no mesmo dia que o grande trio.

A série segue os irmãos Kate, Kevin e Randall, enquanto suas vidas se entrelaçam. Kate e Kevin eram originalmente parte de uma gravidez de trigêmeos, que foi descoberta no banheiro do Froggy’s, um bar, durante o Super Bowl XIV. A data de nascimento dos dois era prevista para 12 de outubro de 1980, mas eles nasceram seis semanas antes, em 31 de agosto. O irmão biológico da dupla morreu no parto. Seus pais, Jack e Rebecca, com a intenção de levar três bebês para casa, decidem adotar outro recém-nascido: Randall, um bebê negro nascido no mesmo dia, que foi levado para o mesmo hospital depois que seu pai biológico o abandonou em um corpo de bombeiros. – Wikipédia

A premissa é bastante simples. É um drama do cotidiano, de uma família que muito bem poderia ser a minha ou a sua. E é justamente aí que ela nos toca bem nas feridas. Situações com as quais podemos facilmente nos relacionar. É o tipo de série que nos faz sentir. Fala de família, de amor, de perdas, de superações, de aceitação, de perdão, de reencontros, enfim… Vou deixar o trailer falar por mim (não consegui trailer oficial legendado, então vai esse):

 

Se eu fosse você daria uma olhada nessa série. Com os lencinhos do lado. Se você tiver o mínimo de empatia, vai chorar igual criança. Se tiver vivido situações semelhantes então – como eu mesma vivi algumas retratadas ali – vai verter uma verdadeira cachoeira. Mas mesmo assim não me arrependo de nada. Pelo contrário, todos deveriam assistir.

Não vejo a hora de conseguir assistir a segunda temporada!

Dicas de outras séries e filmes? Tem aqui!

Resenha do filme A Cabana – emocionante, toca a alma.

Assisti ontem ao filme A Cabana e o que eu tenho a dizer é: assistam. O filme é simplesmente transformador, edificante, e pode mudar sua maneira de ver as coisas.  É como um afago aos corações mais sofridos. Mas é capaz também de nos fazer encarar de maneira honesta nossas próprias dores.

A Cabana

Para quem não leu e nem viu o filme, eis a sinopse: A filha mais nova de Mack, Missy, desapareceu durante as férias da família e as evidências encontradas em uma cabana abandonada em meio às florestas do estado do Oregon apontam para um brutal assassinato. Quatro anos depois, em meio a uma Grande Tristeza, como ele mesmo descreve, Mack recebe uma carta suspeita, aparentemente escrita por Deus, convidando-o a voltar à cabana para um final de semana. Contra seus melhores argumentos, Mack chega ao local em uma tarde fria e caminha em direção ao seu pior pesadelo. O que ele encontrará ali vai mudar sua vida para sempre.

Acredito que quando a a Sam da Otagai me enviou o ingresso para ver o filme A Cabana ela não imaginava o tamanho do presente que estaria me dando, do bem que me faria. Eu não tenho palavras para agradecer.

Dito isso, preciso avisar a vocês que a partir daqui contém spoilers.

O livro do escritor canadense William P. Young foi lançado no Brasil em 2008. Não lembro exatamente quando foi que eu o li, mas lembro as emoções que me causou. Um livro lindo, de uma sensibilidade absurda, que nos toca profundamente. Na época que li eu já havia perdido o meu pai e certamente me ajudou nesse processo.

Agora, 1 ano depois de ter perdido a minha mãe, o ingresso para ver o filme veio para mim como o convite que Mack recebe para ir encontrar Papai na cabana. Ir à cabana mudou a vida de Mack, bem como assistir ao filme está mudando a minha vida. A Cabana funciona como uma verdadeira catarse, e eu não consigo encontrar palavras para explicar para vocês a intensidade da experiência sem me tornar redundante. Eu chorei praticamente o filme todo.
A Cabana

A doce filhinha de Mack é sequestrada e assassinada. Mack se culpa profundamente por não ter conseguido salva-la. Se culpa por ter desgrudado os olhos dela por um segundo pra salvar seus outros filhos de morrerem afogados no lago em que brincavam. Culpa a Deus por ter permitido que um psicopata fizesse mal à sua garotinha. A perda de Missy abala quase que irremediavelmente a dinâmica da família que era unida e se amava demais. A tristeza está afastando os filhos do pai. E o pai não consegue lidar com a própria dor.

Ao receber a carta, a princípio, Mack acredita ser uma brincadeira de mau gosto de alguém. Mas está sofrendo tanto que resolve ir até o local. É lá que tudo começa a mudar. Ele encontra Deus. E esse encontro é a coisa mais emocionante que você vai ver.

Deus aparece em três formas. Papai ( interpretada pela atriz Octavia Spencer) mostrando que Deus pode tanto ser pai quanto ser mãe, dependendo da sua necessidade do momento. Aviv Alush interpreta Jesus, um cara amigo e acessível, cheio de bondade, indulgência e amor no coração. O tipo de pessoa que você se sente à vontade de estar perto. Sumire interpreta Sarayu (Espírito Santo) de maneira delicada e carinhosa, sua fala é suave e doce, quase como um anjo.

A Cabana
Jesus, Mack, Papai e Sarayu

Imediatamente, quando Mack chega à cabana, você tem vontade de ter ido junto com ele receber um abraço gostoso de Deus. A sensação que se tem é de ter finalmente chegado em casa depois de um período de escuridão e desespero. A simbologia disso tudo é muito forte, principalmente quando você liga as peças ao final do filme.

Eu já chorei no início junto com Mack quando ele perde sua filhinha. Mas a parte que me fez abrir a cachoreira de emoções foi quando Alice Braga, a sabedoria, aparece na tela e pede para Mack julgar o bem e o mal. Esse é o momento em que a catarse acontece de verdade. O tempo inteiro que ele está na cabana ele está revoltado com Deus. Se sente mais à vontade do lado de Jesus, e Sarayu consegue com que ele fique um pouco mais sereno. Mas a mágoa que ele tem de Deus é grande demais, até que se vê na situação em que tem que se colocar no lugar de Deus e julgar e condenar seus filhos. É nesse momento que ele realmente entende os designos de Deus e eu também.

O filme é todo sobre perdão e amor. Antes de qualquer coisa, Deus o ajuda a perdoar a si mesmo. A entender que a culpa de Missy ter se perdido de maneira tão trágica não era de Mack. É um processo doloroso. Mas ainda mais difícil para ele foi perdoar Deus. Ele questiona o tempo todo porque Deus deixou que aquilo acontecesse com sua filhinha. Será que Deus não amava Missy? Claro que amava. E Deus mostra que sempre sofre junto de seus filhos e não os abandona um segundo sequer. Quando Mack perdoa Papai é como um peso saísse dos ombros dele e dos nossos ombros também. Porém ainda falta a parte mais difícil: perdoar o assassino de sua filha. Parece impossível, mas Papai explica que estará sempre nos ajudando a perdoar.

A Cabana

Nesse momento que eu lembro da oração “perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”. Com a licença de Deus eu gosto de orar da seguinte forma “perdoai nossas ofensas e ensina-nos a perdoar a quem nos tenha ofendido”. Faço isso, pois ainda estou aprendendo a perdoar, e preciso muito da ajuda de Papai para fazê-lo.

Sinto que, com tudo que me aconteceu – perder primeiro meu pai e mais recentemente minha mãe, fora outras coisas tristes da minha vida – me afastei de Deus. Me revoltei contra ele, fiquei magoada. E continuo magoada. Mas sinto saudade de Papai como sinto saudade dos meus pais. Me dói muito tudo isso. Eu gostaria de ir até a cabana. Me faria um bem tão grande ter esse privilégio de ter Deus me ajudando a organizar meu jardim de emoções que anta uma bagunça assim como o jardim de Mack. Muito embora eu saiba que não é possível, o filme me levou bem perto disso. E eu só tenho a agradecer.  Eu sei que Papai me perdoa por ter ficado brava com ele.  Mas agora eu preciso buscar seu afago.

A Cabana é um filme que todos deveriam assistir. Principalmente aqueles que já perderam alguém e estão lidando de alguma forma com o luto. Preparem os lenços, vocês vão precisar.

A Cabana
Papai mandou dizer <3
Mais informações:

Estrelado por Sam Worthington, Octavia Spencer, Avraham Aviv Alush, Radha Mitchell, Alice Braga, Sumire, Amelie Eve, Megan Charpentier, Gage Munroe, Graham Greene e Tim McGraw.

Direção de Stuart Hazeldine.

Escrito por William Paul Young, em colaboração com Wayne Jacobsen e Brad Cummings.

Roteiro por John Fusco e Andrew Lanham & Destin Cretton.

Produzido por Gil Netter, Brad Cummings.

Todas as imagens do post são do site oficial do filme.

Facebook do filme no Brasil: https://www.facebook.com/acabanaofilme/