A Bela e a Fera 2017 – retornando à infância com o live action da Disney

Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada pela Disney. Então dificilmente esta será uma crítica imparcial. Já começo dizendo que o live action A Bela e a Fera é lindo sim. Com o filme eu me encantei, ri, chorei de emoção, e me diverti muito. Não me atrevo a dizer que seja um filme perfeito, mas vamos lá, abra seu coração, é Disney, então é no mínimo mágico.

A Bela e a Fera poster 2017

Li algumas críticas negativas antes de ir para o cinema e confesso que fui assistir o filme com um pouco de medo. Até pensei em procurar os defeitos todos que estavam falando e procurar escrever uma crítica mais imparcial possível, mas, me desculpem, não vai dar. Nos primeiros acordes de When You Wish Upon a Star que introduz todos os filmes da Disney eu já tava emocionada virando criança outra vez. E não consegui deixar de me alegrar com as canções do filme, cantarolar junto, me deslumbrar com várias cenas e ser conquistada pelos personagens.

Emma Watson tem a leveza, a liberdade de espírito e a coragem que uma Bela dos dias atuais precisa, sem deixar o romantismo de lado. Porque sim, dá pra ser independente e determinada sem deixar de lado a possibilidade de abrir o coração e amar. Ela não tem medo de falar umas verdades na cara da Fera, que fica completamente desconsertada com as respostas da garota.

A Bela e a Fera 2017
Bela e seu pai Maurice

 

A Fera / Príncipe amaldiçoado vivido por Dan Stevens é agressivo no começo, mas que conhece a história, sabe que não é tão assustador assim. No fundo não passa de um rapaz raivoso que nunca aprendeu a amar. Aos poucos, Bela com seu jeito desafiador que o enlouquece, vai quebrando as barreiras e a Fera amolece o coração. Acaba, por muitas vezes, fazendo bobas de quem não está sabendo lidar com aquilo tudo.

A Bela e a Fera 2017
Fera / Príncipe

É divertido, e nesse aspecto está bem parecido com a animação de 1991 que mora no coração dos fãs. Fala sério, a Fera não é pra ser assustadora vai, afinal por debaixo daquele monte de pelos existe um príncipe. Teve quem falasse mal do CGI da Fera, mas eu até que achei bastante razoável.

O ator Kevin Kline é um super avoado Maurice, que merece um destaque por sua interpretação divertida de pai inventor da Bela. Apesar desse jeito descuidado, dedicou a vida inteira para proteger a filha. Não tem como não sentir carinho pelo pai meio matusquela, mas completamente lúcido, que todos duvidam de sua sanidade mental. É aquela velha história que permeia todo o filme, o terrível engano que é julgar os outros pela aparência.

A polêmica do LeFou

A tal polêmica do LeFou ser um personagem gay não passa de uma enorme tempestade em um copinho minúsculo, daqueles de licor, sabe? LeFou é super divertido e alegre, canta e dança com trejeitos sim, e seu amor por Gastão é mostrado de maneira muito sutil. Não há beijo entre eles e nem nada que os homofóbicos de plantão considerem “escandaloso”.

Eu vi gente xingando o filme sem nem ter visto dizendo que tinha beijo gay (???). Gostaria de entender o que leva uma pessoa a odiar tanto o que não conhece e nem viu ainda pra inventar essas coisas. E se tivesse beijo gay, qual seria o problema? Estamos em 2017 amores, e os gays estão no mundo desde sempre. Só estudar um pouquinho de história para saber. Feio é o seu preconceito, seja ele qual for. #FicaaDica

A Bela e a Fera 2017
LeFou e Gaston

Josh Gad está simplesmente um deleite interpretando o LeFou e tenho dito! E o Gastão de Luke Evans está impagável! As cenas dos dois juntos garantem boas risadas. Fora que estão muito parecidos com os do desenho de 1991.

Aliás, o filme como um todo está muito parecido. É praticamente o mesmo filme, só que com atores e cenas a mais que só acrescentam na história e explicam melhor muitas coisas.

Os apaixonantes utensílios (e móveis)

Impossível não se divertir com Lumière (Ewan McGregor) super malandro implicando com Horologe (Ian McKellen) e discordando, mas mesmo assim trabalhando juntos. Ewan McGregor  arrasa no gogó em todas as canções, mas o destaque está mesmo para “Be Our Guest“. A cena é linda, a música empolgante, e ver todos aqueles pratos, talheres, e diversos utensílios cantando e dançando é simplesmente mágico.

A Bela e a Fera 2017
Lumière e Horologe

Gugu Mbatha-Raw é a delicadíssima Plumette, amor da vida de Lumière que sonha voltar a sua forma humana para tê-la em seus braços novamente.

A Bela e a Fera 2017
Plumette e Madame Samovar

Emma Thompson faz a fofíssima Madame Samovar (Madame Potts), e funciona como uma grande mãe que reconforta a todos no castelo com suas palavras de encorajamento e chás quentinhos.  O ator mirim Nathan Mack faz o papel de Zip (Chip) que consegue ser uma criança com jeitinho super fofo mesmo sendo uma xícara de porcelana. Confesso que não fiquei muito fã do visual deles quanto bule e xícara desde o momento que vi os trailers, pois no desenho ambos tem um design mais infantil mesmo, com olhos grandes e etc, mas entendi o propósito no filme.

A ideia é que todos os objetos se pareçam mais com objetos de verdade do que com humanos. Uma pena no sentido de que não reconhecemos os atores pelas feições do CGI, até que sejam transformados novamente em humanos. (Sem reclamar de spoiler não porque todo mundo sabe como a história termina, não é?)

Madame Garderobe vivida por Audra McDonald é doidinha e divertida e um guarda-roupa bastante útil também. E que vozeirão lírico esta mulher tem! Stanley Tucci é o Maestro Cadenza, marido de Madame Garderobe, que foi tranformado em cravo (instrumento musical) durante a maldição.

A Bela e a Fera 2017
Madame Garderobe e Maestro Cadenza

Tem muitos outros personagens e todos, sem exceção, cada um com suas peculiaridades, são ricos e deliciosos de se ver.

A cena do vestido amarelo

A canção tema de A Bela e a Fera foi o momento mais esperado por mim. Passei a semana com a música Tale as old as time na cabeça, super animada pra ver o filme. A cena é linda. Algumas pessoas não gostaram do vestido da Bela, pois ele parece ser mais simples do que a versão do desenho, e, sim, ele pode parecer bem menos bufante.

A Bela e a Fera - cena Tale as Old as Time

Mas aquilo tem uma razão de ser.  Fica bem claro pra mim que o que eles queriam era um vestido fluido. Isto é, quando a Bela se movimentasse durante a dança, o vestido desse a sensação de leveza, quase como se ela estivesse flutuando naquele momento mágico onde ela começa a assumir para si seus sentimentos pela Fera. A Fera por sua vez já está completamente apaixonado.  Minha mãe fazia figurinos de ballet e me ensinou que o figurino sempre faz parte da dança. O vestido da Bela é uma extensão de seus movimentos, e seus movimentos são uma expressão do que ela sente naquele momento.

Magico para ela, e mágico para nós que estamos assistindo e ouvindo Madame Samovar cantando. Chorei igual criança de emoção ao assistir essa cena em especial. Aliás tenho vontade de chorar toda vez que ouço a música. Bom, não era à toa que papai me chamava de manteiga derretida.

Musical

As coisas andam cada vez mais difíceis no mundo e estamos nos tornando cada vez mais amargurados. Não vão para o cinema ver um filme intelectual e de questionamentos existenciais. É um filme alegre e leve como os filmes da Disney devem ser, afinal Disney é sinônimo de alegria. (Sabe branding? Pois é!)

Mas isso não quer dizer que não tenha o seu valor. Não é, nem de longe sinônimo de alienação. Este filme em particular ensina a importância de não se julgar as pessoas pela aparência, pelas posses ou qualquer outra coisa superficial assim. Ele ensina a ver a essência das coisas, a beleza real do mundo que vai além e mais profundamente do que os olhos podem ver.

Ah sim, gente, o filme é um musical. Canções e mais canções que nos levam de volta à infância e deixa o coração mais leve e feliz por algumas horas. Talvez seja exatamente isso que muitos estejam precisando nesse momento da vida.

Tá friozinho hoje, vai pro cinema, assistam o filme, deixem os problemas do lado de fora da sala e sonhem um pouquinho com a magia da Disney! Tenho certeza de que se forem livres do peso dos preconceitos vão adorar.

Se quiser algo menos alegre, que tal assistir Logan? É um excelente filme também! Fiz uma crítica ao filme, sem spoilers , aqui nesse link.

Resenha: Trono de Vidro, de Sarah J. Maas

Oi gente! Tudo bem com vocês? Esta semana eu trago pra vocês mais uma resenha literária. Desta vez, o livro é Trono de Vidro de Sarah J. Maas, que corresponde ao primeiro livro da saga de mesmo nome. Eu ainda não li os outros  livros da saga, mas o primeiro volume eu gostei bastante e vou contar o porquê.

Trono de Vidro
Ariel também aprovou o livro Trono de Vidro 🙂

 

Eu decidi ler esse livro numa dessas promoções que a Amazon faz de e-books. Li rapidamente a sinopse e achei que poderia ser interessante. Bom, como paguei super baratinho nele, pensei: “por que não?”. E não me arrependi nem um pouco. Comecei a ler despretensiosamente e acabei sendo surpreendida. Gostei tanto que acabei comprando a versão impressa do livro.

Em Trono de Vidro a protagonista é Celaena Sardothien, uma jovem, e, descrita como belíssima, assassina de Adarlan. Apenas com 18 anos já é considerada a mais perigosa e mortal assassina e por isso se encontra nas sujas minas de sal de Endovier cumprindo sua sentença. Subnutrida e maltratada por um ano de trabalhos escravos nas minhas de sal, Celaena, mesmo enfraquecida, mantém seu caráter forte, audacioso e indomável.

Até que o príncipe herdeiro de Adarlan, Dorian Havilliard chega para “resgatá-la”. Sua proposta não é de se tornar seu príncipe encantado e viverem felizes para sempre, mas sim, que ela se torne sua representante em uma competição promovida pelo rei. Se ela vencer os 23 oponentes, dentre eles, assassinos, ladrões e soldados, se tornará a campeã do rei e terá sua liberdade após 6 anos de serviço.

Trono de Vidro Mapa de Erilea
A história de Trono de Vidro se desenvolvo na terra fictícia de Erilea.

 

É interessantíssimo como a trama se desenvolve. Chaol é o soldado responsável por ela durante todo o torneiro, treinando-a e protegendo-a, porém sempre desconfiando da assassina. O príncipe Dorian é, como todo bom príncipe de histórias, extremamente encantador e tem como passatempo predileto a provocar. No meio disso tudo ela passa a se vestir como alguém da nobreza, para manter escondida a competição dos demais habitantes da corte, e se permite sentir como uma dama novamente depois de tanta humilhação e chicotadas nas minas de sal.

Mesmo sendo uma assassina implacável, Celaena tem um quê de romantismo e é apaixonada por livros. Com seu jeito honesto e sagaz ela acaba conquistando uma inesperada amizade com uma princesa. Há um lado humano nela que faz com que esqueçamos por muitas vezes que ela foi treinada desde os 8 anos de idade para ser a maior assassina de todos os tempos. Ela acaba cativando o leitos e nos vemos torcendo por ela durante a competição inteira.

Porém, a competição não é seu único desafio. Há no castelo algo maligno que começa a matar um a um dos competidores e a qualquer momento ela pode ser a próxima. E é aí que está um plot twist surpreendente. Mas se eu contar pra vocês será spoiler. A única coisa que posso dizer é que envolve magia. 🙂

Vale a pena conferir como essa história começa. Digo isso pois, do pouco que vi por aí, tudo indica que haverão nos próximos livros muitas reviravoltas interessantes. Sindo que Celaena não é simplesmente uma assassina qualquer vitima das circunstâncias. Há muito mais por detrás da história dela, de sua descendência.

O livro é da Editora Galera Record, com tradução de Bruno Galiza, Lia Raposo, Rodrigo Santos e Mariana Kohnert.  Os outros livros, já publicados, da saga de Sarah J. Maas são: Coroa da meia-noite – vol. 02, Herdeira do fogo –  vol. 03Rainha das sombras –  Vol. 4 e Império de tempestades – Tomo I, Trono de vidro vol. 5.

Há também: A lâmina da assassina: Histórias de Trono de vidro – um prequel que conta um pouco mais da história da assassina antes de ir parar nas minas de sal.  Este eu comecei a ler tem pouco tempo a versão e-book também. Em breve deve ser lançado também o volume 6 da saga.

Trono de Vidro contra-capa
Cada livro tem uma contra-capa nesse estilo, mostrando Celaena de costas com um vestido de gala, enquando na capa ela usa as vestes de assassina.

 

Eu pretendo ler todos os volumes! E fiquei sabendo por alto que há uma intensão de produzirem uma séria baseada nos livros.

Já viu minha resenha sobre outra saga super bacana, A Maldição do Tigre? Não? Então clica aqui. 🙂

Espero que tenham gostado. Até a próxima!

 

Logan – como é difícil se despedir do Wolverine de Hugh Jackman

Assisti ao filme Logan no último domingo e preciso falar pra vocês como estou me sentindo órfã pelo fato de Hugh Jackman não ser mais o Wolverine.

Logan

Que é um filmaço, todo mundo sabe, todo muito já está falando. E numa boa, não quero ser mainstream nunca, mas é a pura verdade.  Logan é, sem dúvidas, uma despedida linda e bastante digna ao Wolverine de Hugh Jackman.

Confesso que fui ao cinema com um misto de emoções. Estava animada para ver o filme e ao mesmo tempo com o coração apertado por ser o último de Hugh Jackman no papel. Mas ao mesmo tempo eu tinha esperanças de que não seria bem assim.

Logan não é apenas um filme de super heróis. Os elementos estão lá, mas aparecem de maneira muito mais discreta do que qualquer filme do mutante. E os poderes mutantes, por mais que façam parte da história, não são absolutamente o foco. é muito mais profundo do que isto. O foco é Wolverine, seus sentimentos em relação à própria existência e o desenvolvimento de seu relacionamento com um muito idoso Professor Xavier e a pequena Laura/X-23.

Wolverine

Hugh Jackman em várias entrevistas falou de como esse filme era importante pra ele. Contou em como teve a ideia do filme no meio da madrugada e teve que gravar a ideia em uma mensagem de voz no celular para depois poder começar a desenvolver o projeto. Ele estava decidido a sair da franquia dos X-Men e queria fazer isso em grande estilo. E conseguiu. Ele interpreta um Wolverine muito mais vulnerável, cheio de cicatrizes, mascado pelo tempo e cansado de tantas batalhas. Mas ao mesmo tempo ele não demonstra essa vulnerabilidade, e sim a força que o move a cada passo. Sua violência não é gratuita, é pensada, e Hugh emociona com sua interpretação.

Logan - Patrick Stewart como Professor Xavier

Patrick Stewart, nosso querido Professor Charles Xavier, está brilhante no papel de um senhor de 90 anos de idade (ele, na verdade, tem 76), com o corpo fragilizado, mais desbocado como pessoas de uma certa idade se permitem ser, e uma mente ao mesmo tempo extremamente poderosa e doente. Patrick afirma também ser esse o seu último filme na pele de Charles Xavier, mas parece que já está voltando atrás. Graças a Deus. 😉

Logan - Dafne Keen como Laura / X-23

E o que é a pequena Dafne Keen? A garota é, simplesmente, espetacular! Com 11 anos de idade a atriz espanhola dá um show de interpretação e já mostra a que veio. Seus olhares são extremamente expressivos e traduzem a agressividade e selvageria da personagem X-23 no início de sua vida. Quem conhece os quadrinhos sabe que ela foi criada em laboratório a partir do material genético do Wolverine. Isso é spoiler?  Bom, o fato é que já virei fã da menina, o que consola um pouco o coração, já que com a saída de Wolverine da franquia, X-23 interpretada por Dafne é um excelente e talentoso legado.

O que o filme promete, ele entrega com primazia. Para quem acha que filmes de super-heróis / quadrinhos são apenas coisa de criança, ou diversãozinha boba, definitivamente precisa ver esse filme. Vai entender que personagens como Logan são muito mais complexos e ricos do que se pode imaginar. Quem já é fã de quadrinhos, vai sair do filme satisfeito.

E talvez um pouco órfão.

#VoltaHugh!

Bom, brincadeiras à parte, só temos a agradecer a Hugh Jackman pelos seus 17 anos como Wolverine. Mas não vou negar que eu gostaria que ele não saísse do papel nem tão cedo… poderia arrendondar pra 20 anos… ou quem sabe 30, sei lá. 🙂

Corre pro cinema! Vale a pena!


O trailler é de arrepiar, fala sério! E a fotografia? De fazer o bonequinho aplaudir de pé! 🙂