Trono de Vidro 2 – Coroa da Meia-noite

Como vocês já devem ter lido aqui e aqui, eu sou uma grande entusiasta da série de livros Trono de Vidro, de Sarah J. Maas. Comecei a ler meio que sem querer um e-book que ganhei numa promoção da Amazon. Quando vi comprei praticamente a série toda em livros físicos. E, vou dizer uma coisa muito séria a vocês:  se o livro 1 e o livro 1,5 já eram excelentes, em Trono de Vidro 2 a história vai ficando cada vez melhor.

Caso você ainda não tenha lido o volume 1, melhor parar a leitura por aqui pois pode conter spoilers. Afinal é impossível falar da continuação sem revelar uma coisinha ou outra né.

Trono de Vidro 2

Trono de Vidro 2 – A coroa da Meia-noite retoma a história de Celaena Sardothien um pouco depois dos acontecimentos do primeiro livro. Nesse ponto, recomendo demais ler A Lâmina da Assassina. Este volume é importante pois, apesar de ser sobre um passado recente de Celaena, nos ajuda a entender muitas coisas sobre a própria assassina e ajuda a compreender também algumas nuances da história que aos poucos se desenvolve.

Celaena é agora a campeã do Rei de Adarlan, após ter vencido – às duras penas – o fatídico torneiro relatado no primeiro volume. O rei cruel e com um aspecto demoníaco cada vez mais aparente, manda sua campeã em viagens para assassinar diversas pessoas. Além de ter que levar provas dos assassinatos, Celaena é impedida de fugir por uma ameaça feita pelo rei de matar os amigos que fez na corte. Os amigos e as famílias deles. Sim, a assassina, por mais que tente esconder, por mais que esteja calejada das decepções e horrores pelos quais passou, ainda tem um coração. Assim, temendo por seus amigos ela faz o que está ao seu alcance para que o rei pelo menos acredite que ela está cumprindo suas ordens.

É interessante notar o quanto a autora é habilidosa em desenvolver a trama. Não há enrolação, sabe? Tudo está conectado então é importante prestar atenção. À medida em que a trama vai se desenvolvendo percebemos que nada é o que parece  e os personagens tem uma complexidade, uma profundidade, que vai muito além das aparências.

O príncipe Dorian não é simplesmente um cara vaidoso, superficial e mulherengo. Ele tem mais a mostrar e a desenvolver de acordo com o caminhar da história. Acredito que será peça chave para coisas grandiosas mais adiante.

O capitão da guarda Chaol não é só um soldado rígido e disciplinado. Há muito mais nele. Há uma paixão ardente que ele a todo custo tenta não demonstrar até que não seja mais possível. Além disto, há algo de misterioso em seu passado que nos dá uma noção do papel que ele pode vir a desempenhar.

A princesa Nehemia, que se torna a melhor amiga de Celaena, não é uma princesa indefesa. É uma mulher forte e inteligente que quer libertar seu povo das garras do cruel rei de Adarlan. Ela sabe muito mais do que demonstra.

Trono de Vidro 2

Tudo está ligado, como se o universo lentamente conspirasse a favor de Celaena para que ela cumpra o seu verdadeiro destino. Não que o universo conspire de maneira tranquila. Pelo contrário. E neste volume há ainda mais magia que no primeiro.

O destino de Celaena é empolgante, maravilhoso e ao mesmo tempo assustador. Um destino do qual ela foge desde que fora encontrada pelo o Rei dos assassinos ainda criança. Ela SABE quem ela é, sabe a sua importância, mas tem medo e foge disso. Quase como uma garotinha mimada e voluntariosa, o que deseja é completar os anos de serviço com o rei e depois desaparecer. A gente acaba ficando com raiva dela algumas vezes por ser tão teimosa. Somente algo grandioso fere Celaena tão profundamente a ponto de ela começar a aceitar (em parte) o destino do qual sempre fugiu. Não vou contar o que é, mas ela tem um grande baque na história que muda absolutamente tudo para ela.

Trono de Vidro 2

Gente, sério, são MUITAS revelações importantes nesse livro. Trono de Vidro 2 nos faz ter certeza que ainda há muita coisa por vir. Eu mesma já emendei do volume 2 para o volume 3 de tão empolgada que fiquei com o final de Coroa da Meia-noite. É aquele tipo de livro que a gente fica com vontade de mais e mais. Sarah J. Maas sabe bem o que está fazendo e sabe envolver os leitores como ninguém.

Trono de Vidro 2 – Coroa da Meia-noite é  da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

E você? Já leu algum volume de Trono de vidro? Está gostando? Conte nos comentários o que achou.

Beijos e até a próxima. 😉

Série Versailles – Louis XIV, Filipe de Orleans, intrigas, etiqueta e moda

A Série Versailles, recém lançada na Netflix, já ganhou meu coração. Focada no relacionamento conturbado de Louis XIV com seu irmão Filipe de Orleans, a trama tem como pano de fundo o palácio de Versailles, a construção dos monumentais jardins e a expansão do que antes era o pavilhão de caça de seu pai, tornando-o o maior palácio do mundo.

Série Versailles

É claro que, como toda boa trama real que se presa, o que não falta são intrigas e traições. Política, estratégias e Louis XIV se tornando o Rei Sol como o conhecemos através dos livros de história.

Série Versailles

A Série Versailles começa quando a mãe de Louis XIV, Ana de Áustria, morre e ele ainda luta para se estabelecer no trono. Como Louis III, pai de Louis XIV faleceu quando este tinha apenas 5 anos de idade, Ana de Áustria fora instaurada regente, governando em nome do filho até ele completar 13 anos de idade. Só que aos 13 anos, ele era rei só no nome praticamente, sendo que o primeiro ministro Mazarin (sucessor do cardeal Richelieu) quem ainda comandava na prática.

Apenas 10 anos depois, aos 23 anos que Louis XIV anunciou que assumiria ele próprio o governo do reino. Sua mãe morreu 5 anos depois aproximadamente. Na série mostra o quão ligado ele era à mãe e o quão perdido fica neste momento de sua vida quando tenta manter o controle sobre os nobres de sua corte e sobre todos o país.

Série Versailles
Conhecido por ter tido várias amantes – e ter tido com elas vários filhos os quais legitimou em sua maioria –  a primeira temporada da série mostra algumas das mais importantes delas. Além disso, o relacionamento frio com sua esposa a rainha consorte Maria Teresa de Áustria.

Série Versailles

Mas o que queremos ver? Louis XVI e seu irmão Filipe de Orleans brigando pelos mais variados motivos. Os dois o que tem de lindos tem de briguentos. Guerras de egos acontecem entro os dois, mas como bons irmãos que se presam, são os dois contra o mundo. Um acaba sempre apoiando o outro não importa o quão arrogante um seja ou o quão controverso e chocante o outro tente ser.

Filipe é extremamente liberal e apaixonado por moda e boas maneiras. Interessante ver como Louis pede ao irmão que instaure regras de etiqueta como uma manobra política para fazer com que os nobres que vivem em sua corte se acalmem e se ocupem, servindo o rei com mais elegância. Tudo faz parte de um teatro.

Série Versailles

A moda é mostrada de maneira discreta, com mudanças bastante sutis ao longo da primeira temporada. Naquela época as mudanças da moda eram bem lentas mesmo, e só quem prestar atenção vai notar o caminho que o figurino vai traçando para que mais adiante as influências do Rei Sol desponte em toda a sua corte.

São pequenas referências, um diálogo aqui e outro ali, que anunciam o que a série ainda promete mostrar. As cores tenderão a ser mais extravagantes e tudo se tornará muito mais grandioso, caminhando para o que é conhecido na história por Era Barroca. Pode apostar.

Série Versailles

A série Versailles é linda de se ver. É uma superprodução que dizem por aí ter custado 27 milhões de euros. Algumas cenas são gravadas no Palácio de Versailles mesmo e as demais externas são feitas em diversos jardins de castelos franceses.

O elenco é composto por George Blagden, conhecido por seu papel em Vikings, agora é como Luís XIV, o vaidoso Rei Sol. Alexander Vlahos como Monsieur Filipe I, Duque de Orléans, irmão do rei, gosta de homens e mulheres e até se veste de mulher para afrontar o irmão (para você ver como o mundo é e sempre foi gay). Evan Williams maravilhoso como Chevalier de Lorraine, amante de Filipe. Tygh Runyan como Fabien MarchalStuart Bowman como Alexandre Bontemps, valete do rei. Amira Casar como Béatrice, Madame de Clermont. Noémie Schmidt como Henriqueta da Inglaterra, esposa de Filipe. Anna Brewster como Françoise-Athénaïs, Marquesa de Montespan, amante do rei. Sarah Winter como Louise de La Vallière, amante do rei. Elisa Lasowski como rainha consote Maria Teresa, entre outros.

Se você curte moda, realeza e história francesa, vai amar essa série. Claro que há várias licenças poéticas para tornar tudo mais interessante. Não se preocupe, ela é toda em inglês (claro que tem dublada e com legenda, mas acho que deu pra entender onde quero chegar ;)) Ah, não é bom ver com família ou filhos, pois ela tem bastante cenas de nudez e sexo.

Quer mais dicas de filmes e séries: clica aqui. 🙂

Ahh, olha que linda a música de abertura! É da banda M83, e a música se chama Outro. Amo!

Papo sério: Homofobia é doença e discurso de ódio é crime.

Recentemente, conversando com algumas pessoas e ouvindo diversas opiniões, eu me peguei refletindo sobre algumas questões comportamentais. Não sou psicóloga e nem nada parecido, mas, como escritora, eu sempre tive essa “mania” de observar o mundo ao meu redor. Principalmente o comportamento das pessoas que me cercam. Já comentei sobre essa minha mania de observar no post anterior, né? Mas desta vez quero falar sobre homofobia.

homofobia

Assim, testemunhei algumas declarações extremamente agressivas. Um verdadeiro discurso de ódio que me assustou e me fez procurar refletir sobre o motivo de alguém sentir tanta raiva.  O que eu ouvi foi mais ou menos assim:

“Pode ser viado, mas tem que ser homem!”
“Fulano em tal cidade se veste de mulher e compra absorvente, dá vontade de dar uma porrada nele!”

Fiquei me perguntando: porque essa pessoa está se incomodando tanto com alguém que ele sequer conhece, apenas ouviu falar, que se veste com roupas femininas e compra absorvente a ponto de querer bater nessa pessoa? O que faz com que alguém sinta tanta raiva assim de outra pessoa só porque ela foge dos padrões impostos pela sociedade. Ao que me consta, vestir-se com roupas do sexo o posto e comprar absorvente não é crime nenhum. Por que sentir tanto ódio contra alguém pelo o que ele faz ou deixa de fazer em sua vida particular?

O que me assusta ainda mais é que não é algo pontual. Não são poucas pessoas que pensam dessa maneira. Vejamos o caso que foi divulgado na segunda-feira sobre um juiz do DF ter concedido uma liminar para que psicólogos ofereçam terapia para reorientação sexual, vulgarmente conhecida como cura gay. Lógico que gerou controvérsias. É claramente um retrocesso considerar homossexualidade como um desvio, uma doença, quando sabemos que não é bem assim.

A minha reação foi rir para não chorar. Pois se você avaliar bem direitinho, parece piada. Piada daquelas de mau gosto. E voltamos à questão inicial: mas porque cacetes voadores as pessoas se incomodam tanto com o que os outros fazem ou deixam de fazer com sua vida particular? Não é crime, não é doença, não é afronta ser gay, drag queen, transgênero, ou qualquer coisa que o valha. Assim como não é crime e nem doença ser hétero, ser careta, gostar de ficar em  casa vendo netflix ao invés de sair pra balada pegar geral. Também não é crime e nem doença seguir essa ou aquela religião. Ou gostar de rock ao invés de axé. Ser de virgem com o ascendente em libra ao invés de ser de leão ou peixes, entende onde eu quero chegar?

Cada um que sabe de sua própria vida e, se não estamos cometendo crime algum, fazendo mal a ninguém, o que cada um faz com sua vida e seu corpo é pessoal e intransferível. Além disso, não cabe a ninguém julgar. Porque convenhamos, ninguém é melhor do que ninguém e todos vamos ter o mesmo fim. Isso todo mundo já está careca de saber mas parece que as vaidades fáceis midiáticas e imediatistas fazem com que a maioria esqueça do básico.

É bem simples: viva e deixe viver. Seja feliz e permita que os outros sejam também. O seu direito termina onde começa o do próximo. São máximas antigas porém básicas, mas muita gente parece esquecer.

No mais, se você se incomoda tanto pra quem fulano dá ou deixa de dar, se ele usa uma melancia na cabeça ou um abacaxi pendurado no pescoço, se você se incomoda tanto com o que os outros fazem a ponto de sentir ódio e querer agredir verbal ou fisicamente uma pessoa… meu querido, isso sim é doença e você precisa se tratar. Homofobia é doença. Discurso de ódio é crime.

Resumo da ópera: cada um é que sabe melhor de si mesmo. Deixa os garotos brincar. Se quer se indignar com alguma coisa, se indigne com a situação do nosso país. Das pessoas vivendo nas ruas, das crianças doentes abandonadas na África. Se indigne com o terrorismo, com as guerras, sei lá. Mas cuida da sua vida, da sua própria saúde mental. Ajude os Médicos Sem Fronteiras, que tal?  E se tiver muito ocioso, que tal trabalho voluntário? Mente vazia laboratório do capeta. Fica a dica.