Resenha: A Lâmina da Assassina, Sarah J. Maas

Oi gente! Demorei, mas vim com mais uma resenha de um livro super bacana, A Lâmina da Assassina, de Sarah J. Maas, a autora da saga Trono de Vidro.

A Lâmina da Assassina

A Lâmina da Assassina conta mais um pouco da história de Celaena Sardothien, a famosa assassina de Adarlan, antes de ser presa nas minas de sal de Endovier. Neste livro conhecemos um pouco de Sam, um dos assassinos que, assim como ela, trabalhava para Arobynn, o rei dos assassinos do Forte da Fenda.  Sam foi o primeiro grande amor de uma turrona, convencida e arrogante Celaena. Arobynn, por sua vez, foi seu salvador, mas possui nas mãos o poder para sua ruína.

Arobynn é um homem de belo porte, elegante como um verdadeiro rei, porém implacável, manipuladorvingativo como se espera que seja um rei de assassinos. Ele quem salva Celaena da morte aos 8 anos de idade em circunstâncias que, por mais que a autora nos desperte a curiosidade enormemente, não são reveladas. O livro explica que quando o rei dos assassinos escolhe seus pupilos, faz com que eles tenham tudo do bom e do melhor, com a condição de trabalharem para ele e pagarem tudo de volta com o dinheiro acumulado pelos serviços feitos.

A Lâmina da Assassina

A história do livro considerado 1.5 gira em torno de como Celaena e Sam se envolveram nos eventos que selariam o destino de ambos. Nesse ínterim os dois se apaixonam e vivem uma história de amor completamente ameaçada por um possessivo Arobynn. Apesar de sua aparente tranquilidade e aceitação, não permitirá que vivam esse romance impunemente. São eventos que precedem a saga Trono de Vidro, contados até o preciso momento em que Celaena acaba presa, indo parar em Endovier.

A Lâmina da Assassina
O mapa de Erilea, com ele dá pra ter uma noção das viagens de Celaena nestas histórias, como quando ela viajou pela Terra Desértica para encontrar a ordem dos Assassinos Silenciosos, ou quando ela libertou os escravos na Baía da Caveira. <3

 

Sam é encantador por si só. A princípio achamos que ele não tem nada de especial além de sua beleza (tantas vezes exaltada por Celaena em seus pensamentos). Mas pouco a pouco a autora vai mostrando o caráter e as motivações do personagem. Assim o rapaz nos conquista mais rápido do que conquista Celaena. Sam é apaixonante.

 

A Lâmina da Assassina
A contra capa e um dos vestidos maravilhosos de Celaena. Ela pode ser arrogante e até um pouco fútil, mas tem bom gosto e quando não está de serviço gosta de se vestir como uma princesa.

 

 

É um livro que aprofunda um pouco mais no passado de Celaena, nos apresentando personagens bastante controversos, explicando muito da essência da protagonista. Todos os personagens tem fundamental importância para compreendermos melhor as nuances dela, nos levando a entender melhor suas escolhas.

A complexidade de Celaena é uma das coisas mais bacanas de se acompanhar nos livros. Ela às vezes parece uma menina mimada, às vezes uma mulher orgulhosa. A sua arrogância algumas vezes lhe causa problemas, e seu excesso de confiança em si mesma pode colocá-la em situações bastante complicadas. Tem horas que ficamos com raiva dela. Ela é humana e cheia de defeitos. Uma anti-heroína. Porém ela possui um código de honra bastante peculiar e a maneira como sempre procurar disfarçar suas admiráveis qualidades, evitando assim expor suas presumidas fraquezas, ela conquista o leitor que acaba torcendo por ela. É visível o amadurecimento dela a cada evento. Mas não é um amadurecimento completo e repentino. É gradual e explica muita coisa.

Ainda assim deixa no ar um mistério enorme sobre o passado dela, do qual nem ela mesma quer falar. O que nos leva a crer que ela está destinada a coisas grandiosas e se tornar uma assassina foi apenas um desvio do caminho induzido por outras pessoas.

O universo criado por Sarah J. Maas é tão rico e surpreendente que a existência de tantos mistérios ainda não esclarecidos na história  fazem com que queiramos ler mais e mais. A Lâmina da Assassina também é assim. Não aparece quase nada sobre magia neste livro, uma vez que foi banida pelo rei de Adarlan. Mas isso só deixa as coisas mais interessantes.

Há muito a descobrir ainda! Por sorte ainda tenho vários volumes pela frente. Estou no volume 2 da saga Trono de Vidro e muitos mais mistérios vão surgindo me deixando cada vez mais “encucada”.

O livro é da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

Resenha: Três Coroas Negras, Kendare Blake

Três Coroas Negras me chamou a atenção pela capa. Em um preto aveludado elegante, com três coroas dispostas verticalmente, cada uma delas com adornos diferentes, o livro definitivamente me despertou a curiosidade.

Três Coroas Negras

O livro traz a história de três irmãs gêmeas, Katherine, Mirabella e Arsinoe. Separadas umas das outras aos seis anos de idade, foram treinadas de acordo com seus talentos e educadas para odiarem umas às outras.

Katherine é a rainha envenenadora, Mirabella a rainha elemental e Arsinoe a rainha naturalista. Os envenenadores são os que têm a dádiva de serem habilidosos com venenos e imunes a eles. Os elementais são os que podem manipular os elementos. Por fim, os naturalistas são os que conseguem controlar os animais e fazer brotar e florescer as mais belas plantas.

Todas são dádivas concedidas pela Deusa, que a cada geração faz nascer da linhagem real trigêmeas cada uma abençoada com uma dessas dádivas. Porém o costume local é que apenas uma rainha pode governar. Por isso elas são separadas de sua mãe ao nascer e aos 6 anos de idade cada uma é levada para um local da ilha em que vivem de acordo com suas dádivas.

Três Coroas Negras

Quando separadas são treinadas e preparadas para que, aos 16 anos, no festival Beltane, elas mostrem os seus poderes para o povo e então começa o que a autora chama de “Ano da Ascenção“. A partir deste Beltane em especial, as três rainhas recebem a permissão de matarem umas às outras até que apenas uma sobreviva. A sobrevivente reinará. Cruel não é?

A ideia do livro Três Coroas Negras é bastante boa. Toda esta questão das três rainhas e suas dádivas especiais é bastante atrativa.

Cada capítulo do livro mostra uma rainha e o que está se passando com ela. A sua preparação para a festa de aniversário de 16 anos e a sua trajetória até o fatídico Beltane. Katherine, Arsinoe e Mirabella tem personalidades completamente diferentes, moldadas pela maneira como foram tratadas e o que lhes foi ensinado. A gente consegue às vezes sentir pena, as vezes torcer por uma, e, às vezes sentir raiva da outra, sem conseguir ter uma preferida por muito tempo.

Porém acredito sinceramente que a trajetória delas poderia ter sido melhor desenvolvida, dando mais profundidade à história de cada uma delas. É tudo meio raso, entende? Faltam explicações.

O bom de Três Coroas Negras é que é fácil é bem rápido de ler. O li em um final de semana. É uma leitura que prende e flui. A história é essencialmente feminina. Os personagens masculinos tem sua importância, mas são meramente coadjuvantes.

Há uma ênfase muito grande no romance entre Jules, a melhor amiga de Arsinoe e o amigo de ambas, Joseph. O romance até tem sua importância para o desenvolvimento final do livro, mas Arsinoe, uma personagem super interessante, acaba ficando em segundo plano.

O final surpreende, o que me deu esperanças de uma continuação que explique melhor o universo criado pela autora, a religião que leva uma rainha matar as outras e a origem de todos esses poderes impressionantes.  A conferir quando o próximo livro sair. Eu acho que pode vir a ser muito bom, espero não me decepcionar.

Três Coroas Negras

No final das contas vale a pena ler Três Coroas Negras. Mesmo que muitas coisas tenham ficado no ar, a sensação que dá é que a autora deixou o melhor pra depois e em doses homeopáticas. De qualquer maneira o livro entretém e dá pra ler bem rapidinho.

Editora Globo Alt, tradução de Alexandre D’Elia

Tenho outras resenhas e indicações de livros aqui. Vem dar uma olhada!

 

Resenha: A Livraria Mágica de Paris, de Nina George

Tem livros que simplesmente acontecem na sua vida. Como se você olhasse pra ele e ele te chamasse. O livro  A Livraria Mágica de Paris, da escritora alemã Nina George, fez isso comigo. E contrariando a antiga sabedoria popular de “não julgar o livro pela capa”, foi exatamente isso que fiz. Eu o vi, e o comprei, sem saber o que esperar dele. E para minha surpresa, ele era exatamente o que eu precisava ler.

A Livraria Mágica de Paris

Monsieur Perdu e seu barco-livraria

Quem já visitou Paris sabe que ao longo do rio Siena existem vários barcos. Alguns deles sempre ancorados. No livro, Monsieur Perdu é um homem de meia-idade dono de um desses barcos, onde ele mantém uma adorável livraria.

Sua Farmácia Literária, como é chamada sua livraria, e Perdu tem o talento de “prescrever” livros para todas as dificuldades da vida. Apesar de seu inegável talento de ler bem as pessoas, o livreiro de meia-idade trancou seus sentimentos junto com todas as coisas que o lembravam de sua amada em um quartinho de sua casa.

Algumas coisas acontecem e ele se vê obrigado a reabrir aquele quarto. Mais do que isso, ele se vê obrigado a ler a última carta que sua amada deixou e que ele sequer conseguiu abrir.

A Jornada de Monsieur Perdu

Depois de passar 20 anos trancado em si mesmo, sem jamais se permitir sentir alegria alguma na vida, ler esta carta faz tudo mudar.

A Livraria Mágica de Paris

Perdu (que significa perdido em francês) se dá conta do mal que fez em simplesmente deixar de viver todos esses anos. Com a intenção de fazer as pazes com o passado e consigo mesmo, ele parte em uma viagem surpreendente com seu barco em direção ao sul da França.

Inesperadamente, um jovem e famoso escritor decide viajar com Perdu, e no caminho ambos desenvolvem uma valiosa amizade. Ambos conhecem várias pessoas ao longo de sua jornada, e a troca que se dá é muito rica. Cada personagem tem sua própria história, e Perdu vai ajudando quem vai surgindo pelo caminho.

Porque me encantei com A Livraria Mágica de Paris

Quando comprei o livro foi muito pela intuição. Olhei a capa e senti que ele seria leve e alegre. Não estava enganada, mas o que o livro me proporcionou foi muito além do que simples horas de diversão.

O livro trata de uma maneira delicada e poética a difícil superação de um luto. Todo o livro traz trechos memoráveis sobre o amor, sobre a amizade e sobre a importância de se permitir viver e sentir apesar das perdas. Mostra como família podem ser os amigos que fazemos pelo caminho.

E de quebra, quem ama livros, vai se apaixonar pela maneira como esta obra é uma verdadeira declaração de amor à eles. Fiquei com vontade de ter uma livraria para vocês terem uma ideia. E com vontade de voltar à França também.

Como vocês podem perceber, é um livro mais voltado para o público adulto. Uma aventura diferente, mas cheia de significado. Uma obra tocante. Se Monsieur Perdu existisse de verdade, certamente recomendaria este livro para as dores da alma.

A Livraria Mágica de Paris

A Livraria Mágica de Paris é publicado pela Editora Record, e a tradução é de Petê Rissatti. 🙂

Ah! No final do livro tem receitas da Provence e uma lista com todos os livros citados na obra e para que seriam prescritos. Fofo né?

Quer mais resenhas? Dê uma olhada aqui. 😉