A Pequena Livraria dos Corações Solitários de Annie Darling

Esse é mais um livro dos que comprei pela capa. Sei que não se deve fazer isso, mas, como designer, é mais forte do que eu. Os tons suaves, as combinações de cores, dão uma ideia de leveza ao livro que traduz bem o tipo de história que encontramos nele. A Pequena Livraria dos Corações Solitários é como um bom filme de comédia romântica.

A pequena livraria dos corações solitários

Todos os elementos estão presentes: Posy Morland, a mocinha atrapalhada; Sebastian, o galã charmoso que não vale nada; os amigos da mocinha; o vilão; o toque sentimental; o drama; a perda; as reviravoltas e as confusões que uma falta de boa comunicação pode causar . Como os próprios personagens gostam de chamar, um verdadeiro Chick Lit, ou seja,”um gênero de ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas. Chick-Lits são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa”.

Posy Morland é uma jovem mulher que cresceu na livraria onde trabalha e onde seus pais trabalharam. É apaixonada por romances e sua vida é ler e fantasiar sobre histórias de amor mas sem nunca vive-las. Até aí, tudo bem, afinal cada um faz de sua vida o que achar melhor. Ela não estava infeliz assim. O negócio é que a dona da livraria, Lavínia, morreu e decidiu deixar a livraria para ela. O problema é que além da livraria estar praticamente falida, ela agora automaticamente viraria chefe de seus amigos.

Com a responsabilidade do emprego dos amigos nas costas, o medo de tudo dar errado e a possibilidade de perder não apenas a loja como sua própria casa (ela mora com o irmão no apartamento do andar de cima), Posy ainda precisa lidar com a presença indesejada e insistente de Sebastian, o neto da falecida Lavínia.

Sebastian é um cara lindo. Mas é ao mesmo tempo conhecido como o cara mais grosso de Londres. E faz jus à sua fama. O que tem de lindo ele tem de mala sem alça e não perde a oportunidade de perturbar Posy. Para ser sincera é justamente aí que me incomoda. Não pelo Sebastian, ele realmente é irritante. Mas pela Posy. Entendo que seja uma comédia romântica e tudo mais, mas o fato de ela ser tão atrapalhada e não conseguir reagir com ele que me incomodou bastante.

A pequena livraria dos corações solitários

Mas A Pequena Livraria dos Corações Solitários tem salvação. Posy passa um tempo fantasiando sobre Sebastian enquanto escreve um romance para extravasar a frustração que ele lhe causa. Os textos com toque cafona que ela escreve rende boas risadas. Quando Posy decide tomar as rédeas de sua vida, ela tem uma ideia bem bacana para tirar a livraria do buraco. E é claro que muitas coisas atrapalham esse percurso. Ainda que previsível, o plot twist é bem satisfatório, onde a autora resolve todas as pontas soltas e o que parecia ser uma coisa na verdade era outra.

Apesar de Posy ser completamente diferente se mim, em alguns pontos eu pude me identificar com ela. Cheguei a marcar alguns trechos onde ela fala dos pais e o que sua perda representa para ela.

A Pequena Livraria dos Corações Solitários  é uma leitura leve e divertida. Para pessoas que curtem romance como eu. Meu sonho era herdar uma livraria, seria fantástico. Então esse livro faz com que pessoas apaixonadas por livros como eu meio que se sintam em casa e sonhem não apenas em ter uma livraria como em também escrever mais e mais. No fim das contas vale a pena.

A Pequena Livraria dos Corações Solitários, publicado pela Verus Editora, com tradução de Cecília Camargo Bartalotti, é o primeiro livro da série A Livraria dos Corações Solitários. A série vai retratar a história de cada um dos funcionários da livraria que Posy herdou. Os amigos de Posy, um “alegre bando de desajustados” que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.

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Resenha: A Lâmina da Assassina, Sarah J. Maas

Oi gente! Demorei, mas vim com mais uma resenha de um livro super bacana, A Lâmina da Assassina, de Sarah J. Maas, a autora da saga Trono de Vidro.

A Lâmina da Assassina

A Lâmina da Assassina conta mais um pouco da história de Celaena Sardothien, a famosa assassina de Adarlan, antes de ser presa nas minas de sal de Endovier. Neste livro conhecemos um pouco de Sam, um dos assassinos que, assim como ela, trabalhava para Arobynn, o rei dos assassinos do Forte da Fenda.  Sam foi o primeiro grande amor de uma turrona, convencida e arrogante Celaena. Arobynn, por sua vez, foi seu salvador, mas possui nas mãos o poder para sua ruína.

Arobynn é um homem de belo porte, elegante como um verdadeiro rei, porém implacável, manipuladorvingativo como se espera que seja um rei de assassinos. Ele quem salva Celaena da morte aos 8 anos de idade em circunstâncias que, por mais que a autora nos desperte a curiosidade enormemente, não são reveladas. O livro explica que quando o rei dos assassinos escolhe seus pupilos, faz com que eles tenham tudo do bom e do melhor, com a condição de trabalharem para ele e pagarem tudo de volta com o dinheiro acumulado pelos serviços feitos.

A Lâmina da Assassina

A história do livro considerado 1.5 gira em torno de como Celaena e Sam se envolveram nos eventos que selariam o destino de ambos. Nesse ínterim os dois se apaixonam e vivem uma história de amor completamente ameaçada por um possessivo Arobynn. Apesar de sua aparente tranquilidade e aceitação, não permitirá que vivam esse romance impunemente. São eventos que precedem a saga Trono de Vidro, contados até o preciso momento em que Celaena acaba presa, indo parar em Endovier.

A Lâmina da Assassina
O mapa de Erilea, com ele dá pra ter uma noção das viagens de Celaena nestas histórias, como quando ela viajou pela Terra Desértica para encontrar a ordem dos Assassinos Silenciosos, ou quando ela libertou os escravos na Baía da Caveira. <3

 

Sam é encantador por si só. A princípio achamos que ele não tem nada de especial além de sua beleza (tantas vezes exaltada por Celaena em seus pensamentos). Mas pouco a pouco a autora vai mostrando o caráter e as motivações do personagem. Assim o rapaz nos conquista mais rápido do que conquista Celaena. Sam é apaixonante.

 

A Lâmina da Assassina
A contra capa e um dos vestidos maravilhosos de Celaena. Ela pode ser arrogante e até um pouco fútil, mas tem bom gosto e quando não está de serviço gosta de se vestir como uma princesa.

 

 

É um livro que aprofunda um pouco mais no passado de Celaena, nos apresentando personagens bastante controversos, explicando muito da essência da protagonista. Todos os personagens tem fundamental importância para compreendermos melhor as nuances dela, nos levando a entender melhor suas escolhas.

A complexidade de Celaena é uma das coisas mais bacanas de se acompanhar nos livros. Ela às vezes parece uma menina mimada, às vezes uma mulher orgulhosa. A sua arrogância algumas vezes lhe causa problemas, e seu excesso de confiança em si mesma pode colocá-la em situações bastante complicadas. Tem horas que ficamos com raiva dela. Ela é humana e cheia de defeitos. Uma anti-heroína. Porém ela possui um código de honra bastante peculiar e a maneira como sempre procurar disfarçar suas admiráveis qualidades, evitando assim expor suas presumidas fraquezas, ela conquista o leitor que acaba torcendo por ela. É visível o amadurecimento dela a cada evento. Mas não é um amadurecimento completo e repentino. É gradual e explica muita coisa.

Ainda assim deixa no ar um mistério enorme sobre o passado dela, do qual nem ela mesma quer falar. O que nos leva a crer que ela está destinada a coisas grandiosas e se tornar uma assassina foi apenas um desvio do caminho induzido por outras pessoas.

O universo criado por Sarah J. Maas é tão rico e surpreendente que a existência de tantos mistérios ainda não esclarecidos na história  fazem com que queiramos ler mais e mais. A Lâmina da Assassina também é assim. Não aparece quase nada sobre magia neste livro, uma vez que foi banida pelo rei de Adarlan. Mas isso só deixa as coisas mais interessantes.

Há muito a descobrir ainda! Por sorte ainda tenho vários volumes pela frente. Estou no volume 2 da saga Trono de Vidro e muitos mais mistérios vão surgindo me deixando cada vez mais “encucada”.

O livro é da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

Resenha: Três Coroas Negras, Kendare Blake

Três Coroas Negras me chamou a atenção pela capa. Em um preto aveludado elegante, com três coroas dispostas verticalmente, cada uma delas com adornos diferentes, o livro definitivamente me despertou a curiosidade.

Três Coroas Negras

O livro traz a história de três irmãs gêmeas, Katherine, Mirabella e Arsinoe. Separadas umas das outras aos seis anos de idade, foram treinadas de acordo com seus talentos e educadas para odiarem umas às outras.

Katherine é a rainha envenenadora, Mirabella a rainha elemental e Arsinoe a rainha naturalista. Os envenenadores são os que têm a dádiva de serem habilidosos com venenos e imunes a eles. Os elementais são os que podem manipular os elementos. Por fim, os naturalistas são os que conseguem controlar os animais e fazer brotar e florescer as mais belas plantas.

Todas são dádivas concedidas pela Deusa, que a cada geração faz nascer da linhagem real trigêmeas cada uma abençoada com uma dessas dádivas. Porém o costume local é que apenas uma rainha pode governar. Por isso elas são separadas de sua mãe ao nascer e aos 6 anos de idade cada uma é levada para um local da ilha em que vivem de acordo com suas dádivas.

Três Coroas Negras

Quando separadas são treinadas e preparadas para que, aos 16 anos, no festival Beltane, elas mostrem os seus poderes para o povo e então começa o que a autora chama de “Ano da Ascenção“. A partir deste Beltane em especial, as três rainhas recebem a permissão de matarem umas às outras até que apenas uma sobreviva. A sobrevivente reinará. Cruel não é?

A ideia do livro Três Coroas Negras é bastante boa. Toda esta questão das três rainhas e suas dádivas especiais é bastante atrativa.

Cada capítulo do livro mostra uma rainha e o que está se passando com ela. A sua preparação para a festa de aniversário de 16 anos e a sua trajetória até o fatídico Beltane. Katherine, Arsinoe e Mirabella tem personalidades completamente diferentes, moldadas pela maneira como foram tratadas e o que lhes foi ensinado. A gente consegue às vezes sentir pena, as vezes torcer por uma, e, às vezes sentir raiva da outra, sem conseguir ter uma preferida por muito tempo.

Porém acredito sinceramente que a trajetória delas poderia ter sido melhor desenvolvida, dando mais profundidade à história de cada uma delas. É tudo meio raso, entende? Faltam explicações.

O bom de Três Coroas Negras é que é fácil é bem rápido de ler. O li em um final de semana. É uma leitura que prende e flui. A história é essencialmente feminina. Os personagens masculinos tem sua importância, mas são meramente coadjuvantes.

Há uma ênfase muito grande no romance entre Jules, a melhor amiga de Arsinoe e o amigo de ambas, Joseph. O romance até tem sua importância para o desenvolvimento final do livro, mas Arsinoe, uma personagem super interessante, acaba ficando em segundo plano.

O final surpreende, o que me deu esperanças de uma continuação que explique melhor o universo criado pela autora, a religião que leva uma rainha matar as outras e a origem de todos esses poderes impressionantes.  A conferir quando o próximo livro sair. Eu acho que pode vir a ser muito bom, espero não me decepcionar.

Três Coroas Negras

No final das contas vale a pena ler Três Coroas Negras. Mesmo que muitas coisas tenham ficado no ar, a sensação que dá é que a autora deixou o melhor pra depois e em doses homeopáticas. De qualquer maneira o livro entretém e dá pra ler bem rapidinho.

Editora Globo Alt, tradução de Alexandre D’Elia

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