Trono de Vidro 3 – Herdeira do Fogo de Sarah J. Maas

Acabo de terminar de ler Trono de Vidro 3 e já vou logo avisando que estou muito empolgada e que esse post pode conter spoilers sim! Então se você não gosta de spoilers, fuja para as montanhas! Ou apenas leia outros textos do blog pois tem muita coisa legal por aqui. 🙂

Trono de Vidro 3

A cada livro que leio da série de Sarah J. Maas fico impressionada com a habilidade da autora em desenvolver a história. E como aspirante a escritora, observo atentamente como a história vai se desenvolvendo e aprendo muito com isso.

Estamos no livro 3 de 6 volumes. É um livro super grosso com 516 páginas e você pensa “Como tem tanta história pra contar? Será enrolação?”. Mas a autora é habilidosa e tem sim muita história pra contar. Zero enrolação.

Em Trono de Vidro 3, já sabemos quem Celaena é de verdade. A assassina não é ninguém menos que Aelin Galanthynius, uma semifeérica e ninguém menos que a rainha de Terrasen por direito e herança. O problema é que desde que seus pais foram assassinados ela não quer ser Aelin. Não quer de jeito nenhum. Seu comportamento de criança mimada é irritante o bastante para algumas pessoas que a cercam nesse livro.

No volume anterior ela partiu de Adarlan a mando do Rei para supostamente assassinar a família real de Wendlyn. Mas na verdade, tudo não passa de um plano de Chaol para proteger a mulher que ama, enviando-a para longe do Rei por medo deste descobrir o que ela realmente é, um ser mágico. O que Chaol não sabia ao manda-la para longe, e, descobre nas ultimas páginas de Coroa da Meia-Noite,  é que ela não era apenas um ser com sangue feérico qualquer. A letal assassina de Adarlan nada mais é que “dona da porra toda”.

Trono de Vidro 3 – Herdeira do Fogo

Trono de Vidro 3 começa com Celaena já nas distantes terras de Wendlyn, sem dinheiro, suja, bebendo vinho, tomando sol, enquanto observa os movimentos do palácio e arquiteta uma maneira de chegar à sua terrível tia Maeve para descobrir como derrotar o Rei de Ardalan que anda mexendo com umas magias negras brabas e para vingar sua amiga princesa Nehemia.

Aí que novos personagens começam a ser apresentados e os planos de Celaena são atrasados mais do que ela imaginava. Rowan Whitethorn Galathynius, um príncipe guerreiro feérico de tirar o fôlego, surge para, ao que parece, dificultar bastante a vida da jovem. Caladão e de aparente mau-humor, tira Celaena do sério com suas provocações. Ele é um ser imortal que já viveu muito e já viu muita coisa, não se deixa abalar pelos pitis da garota voluntariosa que aos seus olhos não passa de uma criança irritante.

A teimosa garota não quer saber de assumir o trono. Mas Rowan é quem insiste e a força a aceitar seu lado feérico através de um treinamento duro e sem piedade. Ai esses dois… brigam muito! Mas como tudo se desenvolve é uma delicia de se ver. Em paralelo aos treinamentos de Celaena, a assassina e o príncipe feérico investigam corpos de semifeéricos que Rowan encontrou jogados perto do rio. Essa investigação deles leva a uma descoberta de que algo grandiosamente maléfico está sendo feito.

Enquanto isso em Adarlan, Chaol e Dorian se distanciam por conta do segredo de Dorian. O príncipe de Adarlan, por sua vez encontra apoio e conforto nos braços de Sorcha, uma discreta e tímida curandeira do castelo. Ela desempenha um papel importante na vida do príncipe nesse ponto, e os dois se apegam um ao outro de verdade.

Chaol por sua vez se vê em conflito pelos seus sentimentos por Celaena, enquanto faz mais descobertas a respeito do passado da assassina. Um arrogante primo de Celaena, Aedion é apresentado no livro. Ele tem tudo pra ser um anti-herói, e é. Mas com o desenrolar da história vamos vendo que ele não é  exatamente o que aparenta ser.

Ao mesmo tempo, mesmo com a amizade abalada pelos eventos do livro anterior, Chaol e Dorian descobrem como o Rei expurgou a magia em Adarlan se usando de uma poderosa magia negra. Ao entender como o rei conseguiu aquilo, eles acabam descobrindo uma maneira de trazer a magia de volta. Mas há muitos obstáculos a serem enfrentados ainda antes que consigam fazer qualquer coisa.

Manon Bico Negro e os clãs de bruxas rivais

Enquanto esses eventos se desenrolam, somos apresentados a Manon. Uma cruel bruxa de dentes de ferro. Assassina fria e implacável, de uma beleza feroz, ela e seu clã Bico Negro são convidadas pelo rei a irem até do Desfiladeiro Ferian. Lá, não apenas o seu clã, como os clãs rivais das Pernas Amarelas e das Sangue Azul, são apresentadas às abomináveis serpentes aladas. Criaturas criadas para servirem de letais montarias voadoras.

Os capítulos envolvendo Manon e as demais bruxas foram fascinantes pra mim. Claro que ao sair de capítulos empolgantes como os de Celaena e cair em um capítulo completamente diferente como os das bruxas, deixam a gente achando que não vai ser tão bom. Mas os capítulos são bons sim. Anunciam uma guerra horrenda que está por vir e nos mostra melhor Manon que vai crescendo como personagem. O desenvolvimento dela não é nada obvio. Mas nos dá uma noção de que ela ainda vai desempenhar um papel importante dessa história toda, no lado opositor à Aelin.

Trono de Vidro 3

O crescimento de Celaena

Celaena começa esse livro ainda uma garota mimada. Sua arrogância ainda muito presente a faz cometer vários erros e injustiças. Mas é definitivamente o livro onde tudo muda para ela. Os desafios que ela enfrenta acabam sendo maiores do que ela poderia imaginar e a confrontação forçada com o seu passado a faz despertar finalmente. Porque ninguém mais aguentava a adolescente mimada. Nesta confrontação com seu passado entendemos o porquê dela não querer voltar àquela vida. São muitos e profundos traumas. Dá vontade de chorar ao ler.

Em Trono de Vidro 3, Celaena entra como menina mimada e sai como mulher forte, corajosa, pronta para reclamar sua coroa. O seu foco muda e ela não pensa mais apenas em seu próprio umbigo. Ela finalmente entende que precisa amadurecer, parar de fugir e pensar em seu povo escravizado há 10 anos. Dá um orgulho da garota no final do livro. É como se finalmente ela aceitasse a jornada que vai precisar enfrentar e não tem mais medo. Dá um orgulho danado mesmo. Ela finalmente se deixa florescer e resolve tomar as rédeas de sua vida. De seu reino. E salvar o povo que espera por ela.

Mais uma vez são várias revelações importantes que dão a deixa para a continuidade da história no próximo livro. Estou empolgada pra começar a ler o livro 4? Muito!

Não conhece a série e quer saber mais? Tenho resenhas dos livros 1, 1.5 e 2 bem nesses links!

Trono de Vidro 3 – Herdeira do Fogo é  da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

A Pequena Livraria dos Corações Solitários de Annie Darling

Esse é mais um livro dos que comprei pela capa. Sei que não se deve fazer isso, mas, como designer, é mais forte do que eu. Os tons suaves, as combinações de cores, dão uma ideia de leveza ao livro que traduz bem o tipo de história que encontramos nele. A Pequena Livraria dos Corações Solitários é como um bom filme de comédia romântica.

A pequena livraria dos corações solitários

Todos os elementos estão presentes: Posy Morland, a mocinha atrapalhada; Sebastian, o galã charmoso que não vale nada; os amigos da mocinha; o vilão; o toque sentimental; o drama; a perda; as reviravoltas e as confusões que uma falta de boa comunicação pode causar . Como os próprios personagens gostam de chamar, um verdadeiro Chick Lit, ou seja,”um gênero de ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas. Chick-Lits são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa”.

Posy Morland é uma jovem mulher que cresceu na livraria onde trabalha e onde seus pais trabalharam. É apaixonada por romances e sua vida é ler e fantasiar sobre histórias de amor mas sem nunca vive-las. Até aí, tudo bem, afinal cada um faz de sua vida o que achar melhor. Ela não estava infeliz assim. O negócio é que a dona da livraria, Lavínia, morreu e decidiu deixar a livraria para ela. O problema é que além da livraria estar praticamente falida, ela agora automaticamente viraria chefe de seus amigos.

Com a responsabilidade do emprego dos amigos nas costas, o medo de tudo dar errado e a possibilidade de perder não apenas a loja como sua própria casa (ela mora com o irmão no apartamento do andar de cima), Posy ainda precisa lidar com a presença indesejada e insistente de Sebastian, o neto da falecida Lavínia.

Sebastian é um cara lindo. Mas é ao mesmo tempo conhecido como o cara mais grosso de Londres. E faz jus à sua fama. O que tem de lindo ele tem de mala sem alça e não perde a oportunidade de perturbar Posy. Para ser sincera é justamente aí que me incomoda. Não pelo Sebastian, ele realmente é irritante. Mas pela Posy. Entendo que seja uma comédia romântica e tudo mais, mas o fato de ela ser tão atrapalhada e não conseguir reagir com ele que me incomodou bastante.

A pequena livraria dos corações solitários

Mas A Pequena Livraria dos Corações Solitários tem salvação. Posy passa um tempo fantasiando sobre Sebastian enquanto escreve um romance para extravasar a frustração que ele lhe causa. Os textos com toque cafona que ela escreve rende boas risadas. Quando Posy decide tomar as rédeas de sua vida, ela tem uma ideia bem bacana para tirar a livraria do buraco. E é claro que muitas coisas atrapalham esse percurso. Ainda que previsível, o plot twist é bem satisfatório, onde a autora resolve todas as pontas soltas e o que parecia ser uma coisa na verdade era outra.

Apesar de Posy ser completamente diferente se mim, em alguns pontos eu pude me identificar com ela. Cheguei a marcar alguns trechos onde ela fala dos pais e o que sua perda representa para ela.

A Pequena Livraria dos Corações Solitários  é uma leitura leve e divertida. Para pessoas que curtem romance como eu. Meu sonho era herdar uma livraria, seria fantástico. Então esse livro faz com que pessoas apaixonadas por livros como eu meio que se sintam em casa e sonhem não apenas em ter uma livraria como em também escrever mais e mais. No fim das contas vale a pena.

A Pequena Livraria dos Corações Solitários, publicado pela Verus Editora, com tradução de Cecília Camargo Bartalotti, é o primeiro livro da série A Livraria dos Corações Solitários. A série vai retratar a história de cada um dos funcionários da livraria que Posy herdou. Os amigos de Posy, um “alegre bando de desajustados” que por uma razão ou outra desistiram do amor e, ainda assim, o encontram quando menos esperam.

Outras resenhas de livros? Clique aqui 🙂

 

Resenha: A Lâmina da Assassina, Sarah J. Maas

Oi gente! Demorei, mas vim com mais uma resenha de um livro super bacana, A Lâmina da Assassina, de Sarah J. Maas, a autora da saga Trono de Vidro.

A Lâmina da Assassina

A Lâmina da Assassina conta mais um pouco da história de Celaena Sardothien, a famosa assassina de Adarlan, antes de ser presa nas minas de sal de Endovier. Neste livro conhecemos um pouco de Sam, um dos assassinos que, assim como ela, trabalhava para Arobynn, o rei dos assassinos do Forte da Fenda.  Sam foi o primeiro grande amor de uma turrona, convencida e arrogante Celaena. Arobynn, por sua vez, foi seu salvador, mas possui nas mãos o poder para sua ruína.

Arobynn é um homem de belo porte, elegante como um verdadeiro rei, porém implacável, manipuladorvingativo como se espera que seja um rei de assassinos. Ele quem salva Celaena da morte aos 8 anos de idade em circunstâncias que, por mais que a autora nos desperte a curiosidade enormemente, não são reveladas. O livro explica que quando o rei dos assassinos escolhe seus pupilos, faz com que eles tenham tudo do bom e do melhor, com a condição de trabalharem para ele e pagarem tudo de volta com o dinheiro acumulado pelos serviços feitos.

A Lâmina da Assassina

A história do livro considerado 1.5 gira em torno de como Celaena e Sam se envolveram nos eventos que selariam o destino de ambos. Nesse ínterim os dois se apaixonam e vivem uma história de amor completamente ameaçada por um possessivo Arobynn. Apesar de sua aparente tranquilidade e aceitação, não permitirá que vivam esse romance impunemente. São eventos que precedem a saga Trono de Vidro, contados até o preciso momento em que Celaena acaba presa, indo parar em Endovier.

A Lâmina da Assassina
O mapa de Erilea, com ele dá pra ter uma noção das viagens de Celaena nestas histórias, como quando ela viajou pela Terra Desértica para encontrar a ordem dos Assassinos Silenciosos, ou quando ela libertou os escravos na Baía da Caveira. <3

 

Sam é encantador por si só. A princípio achamos que ele não tem nada de especial além de sua beleza (tantas vezes exaltada por Celaena em seus pensamentos). Mas pouco a pouco a autora vai mostrando o caráter e as motivações do personagem. Assim o rapaz nos conquista mais rápido do que conquista Celaena. Sam é apaixonante.

 

A Lâmina da Assassina
A contra capa e um dos vestidos maravilhosos de Celaena. Ela pode ser arrogante e até um pouco fútil, mas tem bom gosto e quando não está de serviço gosta de se vestir como uma princesa.

 

 

É um livro que aprofunda um pouco mais no passado de Celaena, nos apresentando personagens bastante controversos, explicando muito da essência da protagonista. Todos os personagens tem fundamental importância para compreendermos melhor as nuances dela, nos levando a entender melhor suas escolhas.

A complexidade de Celaena é uma das coisas mais bacanas de se acompanhar nos livros. Ela às vezes parece uma menina mimada, às vezes uma mulher orgulhosa. A sua arrogância algumas vezes lhe causa problemas, e seu excesso de confiança em si mesma pode colocá-la em situações bastante complicadas. Tem horas que ficamos com raiva dela. Ela é humana e cheia de defeitos. Uma anti-heroína. Porém ela possui um código de honra bastante peculiar e a maneira como sempre procurar disfarçar suas admiráveis qualidades, evitando assim expor suas presumidas fraquezas, ela conquista o leitor que acaba torcendo por ela. É visível o amadurecimento dela a cada evento. Mas não é um amadurecimento completo e repentino. É gradual e explica muita coisa.

Ainda assim deixa no ar um mistério enorme sobre o passado dela, do qual nem ela mesma quer falar. O que nos leva a crer que ela está destinada a coisas grandiosas e se tornar uma assassina foi apenas um desvio do caminho induzido por outras pessoas.

O universo criado por Sarah J. Maas é tão rico e surpreendente que a existência de tantos mistérios ainda não esclarecidos na história  fazem com que queiramos ler mais e mais. A Lâmina da Assassina também é assim. Não aparece quase nada sobre magia neste livro, uma vez que foi banida pelo rei de Adarlan. Mas isso só deixa as coisas mais interessantes.

Há muito a descobrir ainda! Por sorte ainda tenho vários volumes pela frente. Estou no volume 2 da saga Trono de Vidro e muitos mais mistérios vão surgindo me deixando cada vez mais “encucada”.

O livro é da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.