Série Versailles – Louis XIV, Filipe de Orleans, intrigas, etiqueta e moda

A Série Versailles, recém lançada na Netflix, já ganhou meu coração. Focada no relacionamento conturbado de Louis XIV com seu irmão Filipe de Orleans, a trama tem como pano de fundo o palácio de Versailles, a construção dos monumentais jardins e a expansão do que antes era o pavilhão de caça de seu pai, tornando-o o maior palácio do mundo.

Série Versailles

É claro que, como toda boa trama real que se presa, o que não falta são intrigas e traições. Política, estratégias e Louis XIV se tornando o Rei Sol como o conhecemos através dos livros de história.

Série Versailles

A Série Versailles começa quando a mãe de Louis XIV, Ana de Áustria, morre e ele ainda luta para se estabelecer no trono. Como Louis III, pai de Louis XIV faleceu quando este tinha apenas 5 anos de idade, Ana de Áustria fora instaurada regente, governando em nome do filho até ele completar 13 anos de idade. Só que aos 13 anos, ele era rei só no nome praticamente, sendo que o primeiro ministro Mazarin (sucessor do cardeal Richelieu) quem ainda comandava na prática.

Apenas 10 anos depois, aos 23 anos que Louis XIV anunciou que assumiria ele próprio o governo do reino. Sua mãe morreu 5 anos depois aproximadamente. Na série mostra o quão ligado ele era à mãe e o quão perdido fica neste momento de sua vida quando tenta manter o controle sobre os nobres de sua corte e sobre todos o país.

Série Versailles
Conhecido por ter tido várias amantes – e ter tido com elas vários filhos os quais legitimou em sua maioria –  a primeira temporada da série mostra algumas das mais importantes delas. Além disso, o relacionamento frio com sua esposa a rainha consorte Maria Teresa de Áustria.

Série Versailles

Mas o que queremos ver? Louis XVI e seu irmão Filipe de Orleans brigando pelos mais variados motivos. Os dois o que tem de lindos tem de briguentos. Guerras de egos acontecem entro os dois, mas como bons irmãos que se presam, são os dois contra o mundo. Um acaba sempre apoiando o outro não importa o quão arrogante um seja ou o quão controverso e chocante o outro tente ser.

Filipe é extremamente liberal e apaixonado por moda e boas maneiras. Interessante ver como Louis pede ao irmão que instaure regras de etiqueta como uma manobra política para fazer com que os nobres que vivem em sua corte se acalmem e se ocupem, servindo o rei com mais elegância. Tudo faz parte de um teatro.

Série Versailles

A moda é mostrada de maneira discreta, com mudanças bastante sutis ao longo da primeira temporada. Naquela época as mudanças da moda eram bem lentas mesmo, e só quem prestar atenção vai notar o caminho que o figurino vai traçando para que mais adiante as influências do Rei Sol desponte em toda a sua corte.

São pequenas referências, um diálogo aqui e outro ali, que anunciam o que a série ainda promete mostrar. As cores tenderão a ser mais extravagantes e tudo se tornará muito mais grandioso, caminhando para o que é conhecido na história por Era Barroca. Pode apostar.

Série Versailles

A série Versailles é linda de se ver. É uma superprodução que dizem por aí ter custado 27 milhões de euros. Algumas cenas são gravadas no Palácio de Versailles mesmo e as demais externas são feitas em diversos jardins de castelos franceses.

O elenco é composto por George Blagden, conhecido por seu papel em Vikings, agora é como Luís XIV, o vaidoso Rei Sol. Alexander Vlahos como Monsieur Filipe I, Duque de Orléans, irmão do rei, gosta de homens e mulheres e até se veste de mulher para afrontar o irmão (para você ver como o mundo é e sempre foi gay). Evan Williams maravilhoso como Chevalier de Lorraine, amante de Filipe. Tygh Runyan como Fabien MarchalStuart Bowman como Alexandre Bontemps, valete do rei. Amira Casar como Béatrice, Madame de Clermont. Noémie Schmidt como Henriqueta da Inglaterra, esposa de Filipe. Anna Brewster como Françoise-Athénaïs, Marquesa de Montespan, amante do rei. Sarah Winter como Louise de La Vallière, amante do rei. Elisa Lasowski como rainha consote Maria Teresa, entre outros.

Se você curte moda, realeza e história francesa, vai amar essa série. Claro que há várias licenças poéticas para tornar tudo mais interessante. Não se preocupe, ela é toda em inglês (claro que tem dublada e com legenda, mas acho que deu pra entender onde quero chegar ;)) Ah, não é bom ver com família ou filhos, pois ela tem bastante cenas de nudez e sexo.

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Ahh, olha que linda a música de abertura! É da banda M83, e a música se chama Outro. Amo!

Papo sério: Homofobia é doença e discurso de ódio é crime.

Recentemente, conversando com algumas pessoas e ouvindo diversas opiniões, eu me peguei refletindo sobre algumas questões comportamentais. Não sou psicóloga e nem nada parecido, mas, como escritora, eu sempre tive essa “mania” de observar o mundo ao meu redor. Principalmente o comportamento das pessoas que me cercam. Já comentei sobre essa minha mania de observar no post anterior, né? Mas desta vez quero falar sobre homofobia.

homofobia

Assim, testemunhei algumas declarações extremamente agressivas. Um verdadeiro discurso de ódio que me assustou e me fez procurar refletir sobre o motivo de alguém sentir tanta raiva.  O que eu ouvi foi mais ou menos assim:

“Pode ser viado, mas tem que ser homem!”
“Fulano em tal cidade se veste de mulher e compra absorvente, dá vontade de dar uma porrada nele!”

Fiquei me perguntando: porque essa pessoa está se incomodando tanto com alguém que ele sequer conhece, apenas ouviu falar, que se veste com roupas femininas e compra absorvente a ponto de querer bater nessa pessoa? O que faz com que alguém sinta tanta raiva assim de outra pessoa só porque ela foge dos padrões impostos pela sociedade. Ao que me consta, vestir-se com roupas do sexo o posto e comprar absorvente não é crime nenhum. Por que sentir tanto ódio contra alguém pelo o que ele faz ou deixa de fazer em sua vida particular?

O que me assusta ainda mais é que não é algo pontual. Não são poucas pessoas que pensam dessa maneira. Vejamos o caso que foi divulgado na segunda-feira sobre um juiz do DF ter concedido uma liminar para que psicólogos ofereçam terapia para reorientação sexual, vulgarmente conhecida como cura gay. Lógico que gerou controvérsias. É claramente um retrocesso considerar homossexualidade como um desvio, uma doença, quando sabemos que não é bem assim.

A minha reação foi rir para não chorar. Pois se você avaliar bem direitinho, parece piada. Piada daquelas de mau gosto. E voltamos à questão inicial: mas porque cacetes voadores as pessoas se incomodam tanto com o que os outros fazem ou deixam de fazer com sua vida particular? Não é crime, não é doença, não é afronta ser gay, drag queen, transgênero, ou qualquer coisa que o valha. Assim como não é crime e nem doença ser hétero, ser careta, gostar de ficar em  casa vendo netflix ao invés de sair pra balada pegar geral. Também não é crime e nem doença seguir essa ou aquela religião. Ou gostar de rock ao invés de axé. Ser de virgem com o ascendente em libra ao invés de ser de leão ou peixes, entende onde eu quero chegar?

Cada um que sabe de sua própria vida e, se não estamos cometendo crime algum, fazendo mal a ninguém, o que cada um faz com sua vida e seu corpo é pessoal e intransferível. Além disso, não cabe a ninguém julgar. Porque convenhamos, ninguém é melhor do que ninguém e todos vamos ter o mesmo fim. Isso todo mundo já está careca de saber mas parece que as vaidades fáceis midiáticas e imediatistas fazem com que a maioria esqueça do básico.

É bem simples: viva e deixe viver. Seja feliz e permita que os outros sejam também. O seu direito termina onde começa o do próximo. São máximas antigas porém básicas, mas muita gente parece esquecer.

No mais, se você se incomoda tanto pra quem fulano dá ou deixa de dar, se ele usa uma melancia na cabeça ou um abacaxi pendurado no pescoço, se você se incomoda tanto com o que os outros fazem a ponto de sentir ódio e querer agredir verbal ou fisicamente uma pessoa… meu querido, isso sim é doença e você precisa se tratar. Homofobia é doença. Discurso de ódio é crime.

Resumo da ópera: cada um é que sabe melhor de si mesmo. Deixa os garotos brincar. Se quer se indignar com alguma coisa, se indigne com a situação do nosso país. Das pessoas vivendo nas ruas, das crianças doentes abandonadas na África. Se indigne com o terrorismo, com as guerras, sei lá. Mas cuida da sua vida, da sua própria saúde mental. Ajude os Médicos Sem Fronteiras, que tal?  E se tiver muito ocioso, que tal trabalho voluntário? Mente vazia laboratório do capeta. Fica a dica.

Papo sério: A falsidade e a superficialidade.

Eu gosto muito de observar o mundo ao meu redor. Tento não julgar, muito embora às vezes seja difícil, uma vez que sou humana e também tenho os meus defeitos. Observo pois é de minha natureza. Observo, aprendo, e, eventualmente uso algo observado em minha escrita criativa. Esses dias eu estava refletindo sobre falsidade que venho observado ao meu redor ao longo de vários meses. Falsidade é algo que eu realmente não gosto no mundo…

falsidade

Desde muito criança, eu sempre preferi ser sincera ao máximo e isso me causou até alguns problemas. Algumas amigas costumam brincar que eu cometo muitos “sincericídios“. Mas será que seria mesmo mais fácil fingir, esconder, dissimular? Tenho lá minhas dúvidas. Para mim, pelo menos, mentir é muito difícil. Me sinto mal, minto mal, e fico com aquilo na cabeça me culpando. Não digo que foi resultado da educação que tive, pois desde que me entendo por gente sou assim. Nesse aspecto deve ter sido até fácil para meus pais me educar. Em compensação fui uma criança extremamente dona do meu próprio nariz e a sinceridade excessiva causou problemas para a minha mãe algumas vezes. Coitada. Cortou um dobrado comigo.

Mas voltando ao assunto deste texto. Observando percebi que dentro da falsidade mora a superficialidade. Conheço algumas pessoas que passam a vida – sem exageros aqui, a vida, 24hs por dia – usando de falsidade. Simplesmente não conseguem ser sinceras. Talvez por acharem na mentira, no ato de ocultar, uma maneira de se protegerem do mundo ao seu redor. É triste, mas existe. Pude observar de perto e até mesmo receber explicações mentirosas. Então entendi o quão oprimida a pessoa pode ser por levar uma vida desta maneira.

Imagina só: tudo que faz, que os outros fazem e cada passo que dá é “acobertado” por uma explicação superficial, e às vezes até esdrúxula. Criar justificativas mirabolantes até mesmo para ir na esquina espairecer um pouco. Não parece uma prisão? Para mim parece. Como se quem usa desses subterfúgios precisasse deles para tomar as rédeas da própria vida. Eu considero isso de uma tristeza absoluta.

Mais triste ainda é chegar na conclusão de como a vida de alguém pode chegar numa superficialidade tamanha a ponto de afastar todos os amigos. Pois não há como ser amigo de alguém que não se deixa conhecer verdadeiramente, que mente o tempo todo. Mente até para agradar todo mundo. Máscaras.

Quando mentimos, usamos de falsidade, ou omitimos a verdade sobre as coisas mais simples, acabamos vivendo em um mundo extremamente superficial e de aparências. Não se pode chamar alguém de amigo sem o conhecer de verdade. Assim como não se pode amar alguém verdadeiramente sem conhecer até mesmo seus defeitos. Esconder, mentir, omitir são atos que aprisionam, que fecham alguém em si mesmos.

Eu não sei vocês, mas eu prefiro a liberdade de me expressar, de ser eu mesma, de fazer o que eu bem entender com a minha vida. Quem está comigo nessa jornada da vida está presente sabendo exatamente como eu sou. Quem gostar de mim vai gostar de mim por quem eu sou. Quem não gostar vai ser pelo mesmo motivo e tudo bem! Ninguém deveria viver se preocupando em agradar todo mundo. Eu não tenho que agradar a todos, você não tem que agradar a todos, a celebridade também não. Como também ninguém é obrigado a concordar com o que os outros fazem ou falam. Mas isso já é assunto para outro post.

E aí? Muitas falsianes na sua vida? Como você lida com a mentira? Comentem, e não se preocupem, aqui eu não julgo ninguém. Respeito é bom e todo mundo gosta. 😉