Papo sério: O Prêmio da Música Brasileira e a situação complicada da cultura no Brasil

Eu não gosto de falar sobre política. Quem visita meu blog e quem me conhece sabe que eu prefiro falar de coisas suaves e felizes. Espalhar amor, luz, alegria e motivação. Não é uma questão de ser fútil ou superficial, a questão toda aqui é que estamos cada vez mais amargos e sombrios e isso não é nada bom. Estamos enveredando um caminho repleto de negatividade, reclamações, briga e confusões. O Facebook já deixou de ser o muro virtual das lamentações para se tornar o muro das brigas e confusões. Tá chato.

Prêmio da Música Brasileira

Eu fiquei super feliz quando recebi o convite de amigos queridos para ir ao 28º Prêmio da Música Brasileira. É música e quem não ama música só pode ser ruim da cabeça ou doente do pé. Me arrumei, me maquiei, fui com os olhos brilhando de uma criança prestes a entrar em um parque de diversões. Sou apaixonada pelo Theatro Municipal, aquilo lá é uma lindeza só. Fui bailarina também, assim como minha mãe foi (ela inclusive aprendeu balé quando criança lá mesmo no Theatro), então ir ao Theatro Municipal, independente da exibição é um evento lindo pra mim. Além disso o homenageado da noite era ninguém menos que o maravilhoso Ney Matogrosso. Gente, como não ficar feliz da vida?

Prêmio da Música Brasileira

O espetáculo foi lindo de viver. Abriu com Ney Matogrosso cantando uma de suas mais lindas canções “Melodia Sentimental“. O que veio a seguir foi Zélia Duncan (responsável pelo roteiro) e Maitê Proença contando um pouco da trajetória de Ney, intercalando sempre as entregas dos prêmios e números musicais. Diversos artistas cantaram as músicas do homenageado da noite. Ivete Sangalo cantou “Sangue Latino“, Chico BuarqueAs Vitrines“(alguém gritou Fora Temer para ele),  Alice Caymmi e Laila GarinBomba H” (com direito a beijo entre as duas ao fim da música), Lenine  cantou “Bicho de Sete Cabeças II“, Pedro Luís O Mundo“, Karol Conka foi maravilhosa ao cantar “Homem com H” e BaianaSystem, uma banda que eu não conhecia, mas me deixou de queixo caído tocou “Inclassificáveis“.

Muitas coisas rolaram, como Elza Soares sendo aplaudida de pé pelo teatro inteiro ao receber seu prêmio, e Zeca Pagodinho recebendo seu prêmio e saindo do palco antes do tempo deixando todos pra trás. Mas o ponto alto mesmo foi o encerramento com Ney Matogrosso nos presenteando com sua super potente voz, ao cantar mais 4 de seus sucessos. Me arrepiei e cantei junto quando ele entoou lindamente o hino “Balada do Louco“.

Foi lindo. Foi divertido e emocionante. E Ney merecia muito mais. Engraçado ver que como aquele artista sempre contestador, dono da terceira maior voz brasileira de todos os tempos, um verdadeiro showman extremamente versátil (cantor, diretor, ator, iluminador de espetáculos e por aí vai), se mostrou tímido ao agradecer a homenagem. Foi aplaudido de pé, claro.

Prêmio da Música Brasileira

Mas o  que me deixou verdadeiramente preocupada nada tem a ver com a beleza do espetáculo. Tem a ver com a falta de verba para realiza-lo. Os organizadores não receberam nenhum centavo sequer para realizar o prêmio.

Devido à falta de patrocínio, a festa teve pela primeira vez ingressos vendidos para o público. O idealizador do prêmio, José Maurício Machline fez um discurso emocionado logo no início sobre as dificuldades de montar a 28ª edição do prêmio. Prêmio este que só aconteceu devido a parcerias com fornecedores, artistas que participaram abrindo mão de seu cachê, e fazendo uma campanha nas redes sociais para promover o prêmio #VaiTerPrêmioDaMúsica. Graças aos esforços e ao amor pela arte que o Prêmio aconteceu.

A iluminação das apresentações estava lindíssima, aproveitando a própria beleza do teatro. As chamadas para cada prêmio eram vídeos dos artistas que aderiram à campanha. Vídeos feitos em qualquer lugar, com o celular mesmo, aproximando mais da nossa realidade. Nada de mega produção.  E o layout dos indicados no telão se assemelhava à parte de comentários do instagram. O prêmio foi simples, mas foi lindo. Deu conta do recado. Teve Prêmio da Música Sim. Já falei que foi lindo? =)

Prêmio da Música Brasileira

Mas é triste constatar o que já estava sendo feito há um tempo. A desvalorização da cultura e educação do nosso país. Se continuar assim, em breve não sobrará mais nada. Estou preocupada. Procuro manter a esperança de que dias melhores virão, mas ver o país indo de mal a pior me deixa assustada. Me dói o coração. Dá medo. Eu simplesmente amo todas as manifestações culturais e as considero primordiais para a vida. Me pergunto onde iremos parar…

 

Resenha: A Lâmina da Assassina, Sarah J. Maas

Oi gente! Demorei, mas vim com mais uma resenha de um livro super bacana, A Lâmina da Assassina, de Sarah J. Maas, a autora da saga Trono de Vidro.

A Lâmina da Assassina

A Lâmina da Assassina conta mais um pouco da história de Celaena Sardothien, a famosa assassina de Adarlan, antes de ser presa nas minas de sal de Endovier. Neste livro conhecemos um pouco de Sam, um dos assassinos que, assim como ela, trabalhava para Arobynn, o rei dos assassinos do Forte da Fenda.  Sam foi o primeiro grande amor de uma turrona, convencida e arrogante Celaena. Arobynn, por sua vez, foi seu salvador, mas possui nas mãos o poder para sua ruína.

Arobynn é um homem de belo porte, elegante como um verdadeiro rei, porém implacável, manipuladorvingativo como se espera que seja um rei de assassinos. Ele quem salva Celaena da morte aos 8 anos de idade em circunstâncias que, por mais que a autora nos desperte a curiosidade enormemente, não são reveladas. O livro explica que quando o rei dos assassinos escolhe seus pupilos, faz com que eles tenham tudo do bom e do melhor, com a condição de trabalharem para ele e pagarem tudo de volta com o dinheiro acumulado pelos serviços feitos.

A Lâmina da Assassina

A história do livro considerado 1.5 gira em torno de como Celaena e Sam se envolveram nos eventos que selariam o destino de ambos. Nesse ínterim os dois se apaixonam e vivem uma história de amor completamente ameaçada por um possessivo Arobynn. Apesar de sua aparente tranquilidade e aceitação, não permitirá que vivam esse romance impunemente. São eventos que precedem a saga Trono de Vidro, contados até o preciso momento em que Celaena acaba presa, indo parar em Endovier.

A Lâmina da Assassina
O mapa de Erilea, com ele dá pra ter uma noção das viagens de Celaena nestas histórias, como quando ela viajou pela Terra Desértica para encontrar a ordem dos Assassinos Silenciosos, ou quando ela libertou os escravos na Baía da Caveira. <3

 

Sam é encantador por si só. A princípio achamos que ele não tem nada de especial além de sua beleza (tantas vezes exaltada por Celaena em seus pensamentos). Mas pouco a pouco a autora vai mostrando o caráter e as motivações do personagem. Assim o rapaz nos conquista mais rápido do que conquista Celaena. Sam é apaixonante.

 

A Lâmina da Assassina
A contra capa e um dos vestidos maravilhosos de Celaena. Ela pode ser arrogante e até um pouco fútil, mas tem bom gosto e quando não está de serviço gosta de se vestir como uma princesa.

 

 

É um livro que aprofunda um pouco mais no passado de Celaena, nos apresentando personagens bastante controversos, explicando muito da essência da protagonista. Todos os personagens tem fundamental importância para compreendermos melhor as nuances dela, nos levando a entender melhor suas escolhas.

A complexidade de Celaena é uma das coisas mais bacanas de se acompanhar nos livros. Ela às vezes parece uma menina mimada, às vezes uma mulher orgulhosa. A sua arrogância algumas vezes lhe causa problemas, e seu excesso de confiança em si mesma pode colocá-la em situações bastante complicadas. Tem horas que ficamos com raiva dela. Ela é humana e cheia de defeitos. Uma anti-heroína. Porém ela possui um código de honra bastante peculiar e a maneira como sempre procurar disfarçar suas admiráveis qualidades, evitando assim expor suas presumidas fraquezas, ela conquista o leitor que acaba torcendo por ela. É visível o amadurecimento dela a cada evento. Mas não é um amadurecimento completo e repentino. É gradual e explica muita coisa.

Ainda assim deixa no ar um mistério enorme sobre o passado dela, do qual nem ela mesma quer falar. O que nos leva a crer que ela está destinada a coisas grandiosas e se tornar uma assassina foi apenas um desvio do caminho induzido por outras pessoas.

O universo criado por Sarah J. Maas é tão rico e surpreendente que a existência de tantos mistérios ainda não esclarecidos na história  fazem com que queiramos ler mais e mais. A Lâmina da Assassina também é assim. Não aparece quase nada sobre magia neste livro, uma vez que foi banida pelo rei de Adarlan. Mas isso só deixa as coisas mais interessantes.

Há muito a descobrir ainda! Por sorte ainda tenho vários volumes pela frente. Estou no volume 2 da saga Trono de Vidro e muitos mais mistérios vão surgindo me deixando cada vez mais “encucada”.

O livro é da Editora Galera Record, com tradução de Mariana Kohnert.

Design de caixão? Conheça o trabalho de Paa Joe

Estava eu em minha aula no sábado passado, tranquila, anotando tudo como uma boa aluna, quando a professora começa a falar de Paa Joe, um artista/ designer de caixões. Sim, design de caixão existe gente! Daí você pensa “nossa, que coisa macabra” e meio que torce o nariz. Até você ver as coisas que o ganês Joseph Ashong faz. Mais conhecido como Paa Joe, ele é considerado o mais importante artista de caixão de sua geração. Seus caixões fantasiosos estão nas coleções de muitos museus de arte em todo o mundo, incluindo o British Museum em Londres.

Design de caixão

Dá só uma olhada em algumas coisas que ele já fez.

Design de caixão
Sim, isso é um caixão!

Design de caixão

Design de caixão

Design de caixão

Design de caixão
Conheço gente que gostaria de ser enterrada em uma garrafa de Coca-Cola hehehe

Design de caixão

Design de caixão

Paa Joe começou sua carreira aos 12 anos de idade como aprendiz de artista de caixão na oficina de Kane Kwei (1924-1992) em Teshie. Em 1976, Paa Joe iniciou seu próprio negócio em Nungua. Ele treinou muitos jovens artistas como Daniel Mensah, Eric Kpakpo ou Kudjoe Affutu que também se tornaram artistas de caixões muito bem-sucedidos. Sim, gente, isso existe!

Em 2007, Paa Joe mudou sua oficina de Nungua para Pobiman (Greater Accra), onde trabalha com seus filhos Jacob e vários outros colaboradores. Em 2013, Paa Joe foi convidada para uma residência de seis semanas para Nottingham, Grã-Bretanha.

Em 2016, o diretor Benjamin Wigley e a produtora Anna Griffin da Grã Bretenha, fizeram um documentário chamado  “Paa Joe and the Lion“. Nele, é possível ver um pouco da personalidade do artista, seu processo criativo super simples e autêntico (sem aquelas presepadas de artistas contemporâneos pedantes sabe?) e muitos dos caixões criados por ele. No trailer dá pra ter uma ideia de que ele leva a vida de maneira bem humilde. Um trabalhador com sua batalha diária.

Paa Joe & The Lion Trailer from Benjamin Wigley on Vimeo.

O que eu acho disso tudo? Acho o máximo! Pois a vida é curta demais para a gente levar tudo a sério. E a morte, por mais dolorosa que seja para quem fica (experiência própria), é apenas uma passagem pela qual todos nós passaremos. Então por que não fazê-la de maneira mais leve (dentro do possível)?

E vocês, o que acharam desses caixões fantasiosos?

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